RUA DESERTA
Poema de João de Almeida Santos. Ilustração: “Mulher com Turbante" Original de minha autoria. Julho de 2023.

“Mulher com Turbante”. JAS. 07-2023
POEMA – “RUA DESERTA”
ENCONTREI-A Por ali, Ao cair da tarde, Numa rua deserta Da minha cidade, Como se o destino Tivesse marcado Um feliz encontro Pra me resgatar De tanta saudade. OLHEI-A Nos olhos E estremeci, Era um brilho Intenso E nele me perdi... LI-LHE Um poema de amor, Abracei-a Com a voz, Ondulei-me Nos seus olhos Como barco Numa foz. MAS FOI SUAVE, A viagem, E curta, Como sempre Ela quer, Por isso Logo a saudade Entrou forte, A doer. DÓI SEMPRE Quando a deixo, Cai silêncio Sobre mim, Revejo-a, pois, Na memória, Reencontro-a, É verdade, E tem mesmo De ser assim Quando a tristeza Me invade. É A MAIS BELA De todos os lados, Do lado das mãos Ou da suave voz, Do lado dos olhos, A luz qu’ilumina, Do lado da boca, Tão sensual, Do lado do corpo, A pele tão macia, Os véus que a cobrem Para me travar... .................... Mas cresce o mistério E a tentação E cresce o desejo De a abraçar, Tirar-lhe os véus, Unirmos os corpos Para dar fogo À minha paixão. EU TENHO SAUDADES, Sinto a sua falta Sempre que a deixo E vou por ali, Por isso lhe escrevo, Lhe digo O que digo Neste meu poema, Ou noutro qualquer, Mas, agora, sozinho, Como em castigo, Sinto-a bem perto Como minha musa E também a sofro Por já não a ter. MAS TENHO-A AQUI Bem dentro De mim (Tenho a certeza), Não há outro modo, Mas é belo assim (A pura beleza), Renascer com ela Neste mesmo Instante, Um absoluto Em que eu mergulho, Mas que para mim Nunca é bastante.