Novo Livro

NOVO LIVRO de JOÃO de ALMEIDA SANTOS

João De ALMEIDA SANTOS, POESIA, 
Lisboa, Buy The Book, 2021, Páginas: 424.
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João de Almeida Santos, POESIA, Lisboa, Buy The Book, 2021, 424 pág.s.

MUITO EM BREVE este LIVRO 
poderá ser adquirido 
por encomenda directa ao Autor,
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(joaodealmeidasantos@gmail.com), 
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A obra não estará 
à venda nas livrarias.

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CONTEÚDO:
1. Nota Introdutória. 
1. Ensaio sobre Estética; 
2. 66 poemas; 
3. Diálogo com os leitores digitais; 
4. 14 Quadros do autor.
Bibliografia.

CARACTERÍSTICAS: 
Capa rija, cosido, sobrecapa, papel gramagem 100.
UMA BELA OFERTA DE NATAL.
Edição limitada. 
FAÇA JÁ A SUA RESERVA DO LIVRO.

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Poesia-Pintura

O POETA-PINTOR

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Musa”.
Original de minha autoria.
Outubro de 2021.
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“Musa”. Jas. 10-2021

POEMA – “O POETA-PINTOR”

O POETA BRINCAVA
Com suas palavras,
Cantava-te sempre
Quando não estavas.

ERA UM POETA,
Era fingidor,
Não te desenhava,
Cantava-te
A cor.

SUAS CORES
Eram as palavras,
Fazia pincel
Da sua caneta,
O pintor riscava,
Mas a sua tinta
Já não era preta.

POR ISSO COMPROU
Um belo pincel...
................
Pintava, pintava,
Era a granel,
E a sua tela
Deixou de ser
O velho papel.

DESCOBRIU A COR,
Que o fascinou.
Azul, vermelho
E tanto amarelo...
...............
Tudo ele pintou,
Procurando sempre
O que era belo.

ATÉ QUE O ENCONTROU
Na cor dos
Teus olhos.
Era luz da pura
Que iluminava
O novo papel
Onde desenhou
O teu fino rosto
Com o seu pincel.

DEU CORPO À COR
Com que te dizia,
As suas palavras
Tornaram-se riscos,
Mais que poesia.

PINTAVA-TE ASSIM,
Os poemas
Já não lhe chegavam,
Pintor de palavras
De cor as compunha
E versos voavam
No azul do céu...
..................
“E o que tu fazias
Faço agora eu”
(Dissera-lhe um dia)
“Porque sou poeta
Mas também pintor.
Deixaste-me só
Entregue à palavra
E eu,
Tão pobre de ti,
Pintei-me de dor.”

“MAS EU FAÇO DELA
O meu arco-íris
Pra subir ao céu
A ver se t’encontro
Atrás duma cor,
Pintando o teu rosto
Para um poema
Que vou escrever
Com este pincel
Que trago comigo
Enquanto viver”.

O POETA BRINCAVA
Mas era séria
Essa brincadeira,
Perdido em palavras
Encontrou a cor
E nos seus poemas
Dela fez bandeira...
................
Tornou-se pintor.

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Poesia-Pintura

TARDO A ENCONTRAR-TE

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “A Mulher, 
a Janela e o Espelho”.
Original de minha autoria.
Outubro de 2021.

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“A Mulher, a Janela e o Espelho”. JAS. 10-2021.

POEMA – “TARDO A ENCONTRAR-TE”

TARDO A ENCONTRAR-TE
Porque não sei
Como procurar-te
Levado
Por um poema
Com as asas
Do desejo...

NÃO É A VONTADE, NÃO,
Mas o destino a marcar
Os passos que
Eu darei
Ou que nunca
Ousarei
Nesta estreita
Vereda
Da minha vida.

E TU SABES
Que não sei,
Mas sabes por onde
Andei
E me perdi,
À procura do que
Não podia ter
Pra preservar
O que apenas
Me sobrava...
...............
Dentro de mim.

ÀS VEZES
Encontrava-te...
Encontros fugazes
Onde o teu brilho
Cegava
Por fora
E me iluminava
Por dentro...
...............
E cantava-te
E pintava-te a alma
Com palavras roubadas
Ao arco-íris.

MAS NÃO SEI
Se te hei-de querer
Para nunca
Te ter,
Sentir saudades,
Logo ao amanhecer,
Do perfume 
Da aurora,
Quando te reencontrava
Na memória fresca
E matinal
Dos afectos 
Indefinidos
De outrora,
Os mais perfeitos
E contidos.

SIM, DEIXO-ME IR
Nas mãos do destino,
Bem sabes,
Mas há sempre
Um súbito
Sobressalto
Quando o real
Me atropela
Por dentro
E tudo se torna
Inóspito...

MAS SE NÃO 
Me deixo ir
Por aí,
Viajo para outros
Lugares,
Tenho sempre
De viajar
À procura de mim,
De um espelho onde
Me veja por dentro
A olhar-te
Por fora,
À espera do próximo
Sobressalto...
................
Que nunca demora.

AH, COMO ME FALTA
Esse véu que te cobre
Quando te quero
Pintar com palavras
E te vejo
Nua,
Com a alma a tiritar,
À mercê dos sobressaltos
Que te marcam
Como sulcos,
Cicatrizes ásperas
Da vida.

MAS EU PROCURO-TE
Com disfarçado
E tímido
Olhar,
Perscrutando
A alma
Que se aninha
Em ti
Para te proteger
Do risco da beleza
Exposta
Como fractura,
Aquela que os poetas
Sofrem, sim,
 Mas cantam
Quando sentem a
Liberdade
Ali por perto.

TALVEZ A NOITE
Te sirva de véu
E te cubra 
As cicatrizes
Da vida,
Luz coada pela
Penumbra
Que te amacia
A pele
Encrespada
E te devolva como
Sonho
Acetinado
Onde reinventar-te
Como mulher
Desejada,
Para além do bem
E do mal,
Para além do pecado.

MAS EU NÃO SEI,
Tenho medo
Dos sobressaltos,
De ser atropelado
Na esquina de um
Inocente
Jogo sedutor
Que te cative a
Alma
Já em fuga
Para o infinito
Que, ao longe, 
Se cruza
Nos nossos olhares...
..............
Intermitentes.

TARDO A ENCONTRAR-TE
No bulício dos nossos
Dias,
Até que no amanhecer
De um poema
Te volte a visitar
E te diga,
Com olhar
Submisso:
"Ah, que saudades
Eu tinha de ti..."
Mas talvez já seja
Tarde demais.

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Poesia-Pintura

CATEDRAL

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: "A Fonte".
Original de minha autoria.
Outubro de 2021. 
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“A Fonte”, Jas. 10-2021.

POEMA – “CATEDRAL”

VIAJEI NO TEMPO
Até à cidade,
Encontrei-te
Por ali,
Rosto sereno,
Inocente,
Como quem
Sempre sorri.

FOMOS AO TEMPLO
Da rua
Da minha vida,
À cúpula
Da catedral...
..............
Não te abracei
Nessa noite,
Era sagrado
O lugar,
Seria abraço
Fatal.

MAS FICOU-ME
O prazer
De te ter ali
A meu lado,
A sonhar-te
Nos meus braços,
Nos beijos
Que não trocámos
Numa noite
De luar,
Quando o amor
É mais intenso
E o corpo
Se desnuda
De tanto a lua
Brilhar.

FOMOS À PRAÇA
NAVONA,
Escutámos
As águas
Da "Fonte
Dos Quatro Rios"
(Essa dádiva
Do Bernini),
Íntimos,
Em sintonia,
Antevendo um futuro
Que nunca mais
Chegaria...

ATÉ QUE ME PROCURASTE
Nessa fita
Da memória,
A noite perdida
De afectos
No alto da catedral,
Corpos tensos,
Sem palavras,
Na fronteira
Do amor...

TORNOU-SE MAIS VIVO
Que nunca
O que não aconteceu
Como se fosse
Futuro
Que, afinal,
No teu passado
Ainda não se
Perdeu.

E CÁ ESTAMOS DE NOVO
À procura
Dessa noite,
Dos beijos
Que não te dei,
O passado já é
Futuro
E desse tempo
No limiar
Do sagrado
Já não sei
O que farei.

TALVEZ FAÇA UM POEMA
Para te reencontrar,
Cantar esse
Sorriso terno
De que sempre
Eu gostei,
Voar no tempo,
No espaço sideral,
Pousar de novo
Contigo,
Numa noite de luar,
Na cúpula
Da catedral...
Obelisco19_02_1 Rec

“A Fonte”. Detalhe.

Poesia-Pintura

TEMPO

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: "Oráculo".
Original de minha autoria.
Setembro de 2021.

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“Oráculo”. Jas. 09-2021.

POEMA – “TEMPO”

É TEMPO DE RECOMEÇO?
Talvez seja,
Talvez não.
O que ontem
Eu já era
É o que hoje
Eu sou,
Não é tempo
De mudança
Nem tempo
De negação
Porque gosto
De cantar
Neste lugar
Onde estou.

O DESEJO
(Sempre instável)
Pediu tempo,
Rituais,
Celebração,
Mas o tempo
(Insondável)
Resistiu
Ao que a vontade
Tentou...
..............
É tempo
De recomeço
Quando o tempo
Não passou?

EM CADA MOMENTO
Da vida
Procuro
O tempo
Que antes
Eu não vivi,
Procuro
Reinventar
Tudo aquilo
Que perdi,
Num poema
Ou em pintura
Para repor
O que sou
Antes que volte
A perder-me
Nos lugares
Pra onde vou.

OráculoVersãoPub2Rec

“Oráculo”. Detalhe.

Artigo

UMA CURTA REFLEXÃO

SOBRE O 11/09

Por João de Almeida Santos

11092021

I.

11/09 – Um ataque bárbaro ao coração do Império. Milhares de mortos. “Sois mais fortes do que nós, mas nós podemos atingir-vos onde mais vos dói”.

II.

OCUPAÇÃO do Afeganistão com apoio da comunidade internacional. Depois, o Iraque, depois, a Síria, depois… o caos no Médio Oriente.

III.

RECRUDESCIMENTO dos ataques terroristas na Europa.

IV.

RESPOSTA literal dos USA: Bin Laden é abatido por tropas especiais americanas na sua própria casa.

V.

INÍCIO de um novo combate generalizado ao terrorismo: drones e assassinatos-alvo com a correspondente crise do direito internacional.

VI.

TALIBÃS RECUPERAM o Afeganistão em vinte anos. Iraque no caos. Síria no caos.

VII.

PELO MEIO, milhões de mortos e refugiados e biliões de dólares perdidos.

VIII.

VOLTA-SE AO PONTO DE PARTIDA com, pelo meio, imensos e generalizados estragos.

IX.

A UNIÃO EUROPEIA, sem uma liderança forte, politicamente legitimada e com poder decisional, não consegue elevar-se a protagonista político internacional. A Rússia e a China jogam na defensiva. Os USA regressam a casa.

X.

O CAOS está instalado na política internacional.

XI.

DE CERTO MODO, os efeitos negativos de longo prazo do 11/09 são muito, mas mesmo muito, maiores do que a sua causa e o seu poder destrutivo imediato e até simbólico.

XII.

A CURA para o mal acabou por provocar mais danos do que o próprio mal.

XIII.

VIVEMOS tempos sombrios.

Recorte1109

Artigo

O caso do livro de Ricardo Marchi

"A NOVA DIREITA ANTI-SISTEMA
O caso do Chega"

(Lisboa, Edições 70, 2020, 206 pág.s)

Por João de Almeida Santos

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SIM, SÓ AGORA tive oportunidade de ler o livro em referência, mas acompanhei as  polémicas levantadas acerca dele, incluindo um abaixo-assinado de colegas de Riccardo Marchi (RM) e até uma insultuosa recensão de outra sua colega universitária. Como se escrever um livro sobre a direita radical fosse crime de lesa-intelectualidade universitária. Muito de esquerda e muito científica. A obra foi solicitada ao autor pela Almedina, na sua qualidade de investigador universitário e de especialista em movimentos de direita radical, tendo a editora pedido ao autor que evitasse um tom apologético, fosse ele a favor ou contra. Isto lê-se na Introdução. Algo que, na minha modesta e desinteressada opinião (não conheço o RM e a minha posição política é conhecida), me parece que o autor conseguiu, prestando um bom contributo para o conhecimento do novo partido.

E, NO ENTANTO, RM viu-se publicamente execrado pelos colegas por ter aceite o desafio de uma conceituada editora de escrever um quase “instant book” sobre uma matéria bem viva e bem polémica nas agendas política e pública portuguesas.

POR NATURAL INTERESSE político e académico, mas também para avaliar da justiça ou da injustiça do tratamento que os seus ilustres pares lhe haviam reservado, fui ler as 206 páginas do livro. E que constatei, terminada a leitura? Que o autor fez um trabalho sério, muito analítico, indo directamente ao assunto, ou seja, analisando por dentro o partido para melhor entender a sua dinâmica interna e a evolução no seu curto tempo de vida.

E CONFESSO, sem sombra de dúvida, que não encontrei algo que possa justificar a qualificação do livro como “um exercício panegírico ao Chega”, não resistente ao famoso e tão científico “teste do pato”, pela Prof.ra Marina Costa Lobo, e a acusação de não cumprir “critérios de distanciamento do objecto de estudo, nem da ciência política nem da história”. Bom, talvez devesse ter feito como a senhora Professora, indo doutorar-se em Oxford, não sobre os poderes do inquilino do n. 10 de Downing Street, mas sim sobre os poderes do inquilino do n. 4 da Rua da Imprensa à Estrela. Isso, sim, é que é distanciamento científico. Talvez observando o CHEGA a partir de Oxford conseguisse mais e melhor distanciamento científico. Só que, na verdade, o que foi pedido pela Editora ao autor foi um retrato analítico do CHEGA, um partido ainda em fase de construção e de afirmação. O que ele fez com grande profissionalismo, saber e rigor. Não uma tese de doutoramento (essa já a tinha feito), mas um bom livro, mesmo sem “teste de pato” a validá-lo. A teoria política precisa de trabalhos como este, trabalhos de campo que procurem o que está a emergir, e não de invenções de água quente ainda que com chancela anglo-saxónica e muitos referees de serviço a atestarem a sua cientificidade. E até acrescentaria que, perante a evidente qualidade do trabalho, me parece credível a hipótese de a implacável analista não ter lido mais do que a introdução, a conclusão e uma ou outra página do livro. Não sei, mas que me fica a dúvida, lá isso fica. Não sei também se o pato grasna (não é essa, nem nunca foi, a minha especialidade científica) ou não, mas sei que está a nadar com algum vigor vistos os números alcançados nas sondagens.

A VERDADE é que, com este livro, fiquei a conhecer razoavelmente o que se passa no CHEGA, de resto, também ele carreando para o seu interior tendências de fundo que se compreendem melhor se olharmos com mais atenção para as novas fracturas que estão a emergir nas sociedades contemporâneas do que para os modelos clássicos da velha extrema-direita. No livro fala-se destas tendências, mas não creio que a Prof.ra Costa Lobo tenha reparado nisso. #Jas@09-2021.

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Artigo

A DESFORRA DE “LELÉ DA CUCA”

Por João de Almeida Santos

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HOJE É DIA DE FESTA, Dia de S. Balsemão. A democracia parece que deseja rever-se no rosto de um PM que, afinal, foi o sétimo constitucional, mas não eleito. Estranho, não é? E ainda por cima não se sabe ao certo se a celebração é por ter sido PM há 40 anos, substituindo Sá Carneiro, depois do trágico acidente, se é por lançar a sua Autobiografia ou se é por ser dono do maior grupo de comunicação português, a Impresa

OH, NÃO SEI MESMO! O que sei é que há imensas coincidências em tudo isto. Umas mais evidentes, outras nem tanto. A festa – será por mero acaso? – acontece em tempo de pré-campanha, quase de campanha eleitoral. Depois, celebra-se, em democracia e em registo republicano, um homem a quem o também republicano Henrique Monteiro, diligente funcionário do Grupo Impresa, chamou, num artigo de 4 páginas e uma coluna, 9 vezes “Príncipe”, equiparando-o também a membro da família real britânica e identificando a esposa do “Príncipe” como “Queen Mother”. E, mais, ouço dizer por aí que também o I Governo Constitucional, de Mário Soares, foi homenageado por ocasião dos seus 40 anos. Não me lembro, mas, se foi, aplaudo, por Soares e por ser o primeiro.  De facto, o seu foi o primeiro governo constitucional e Mário Soares o primeiro PM que resultou directamente de eleições legislativas. O que não aconteceu com o VII. Por isso, se quisermos ser justos, nem o VII governo constitucional pode ser comparado ao primeiro, nem Balsemão pode ser comparado a Soares. Ou estou enganado?

NADA TENHO contra celebrações, mesmo que elas sejam autoglorificações das elites. Se celebram alguma razão haverá para isso. Que se celebrem, pois, e se federem à vontade nos actos celebrativos. Amen. Mas… há sempre um mas… Este caso, estas coincidências de datas, esta justificação para a homenagem, este unanimismo institucional em torno daquele que, um dia, o actual PR baptizou de “Lélé da Cuca”, suscitam-me uma profunda estranheza: o “Príncipe” Balsemão a surgir como principal protagonista e o republicano PM, António Costa, como Oficiante formal num ritual institucional para o qual foram convocados todos os protagonistas institucionais.

NÃO PARECERÁ tudo isto uma entronização oficial da “Impresa”,  no mesmo momento em que Balsemão lança a sua Autobiografia de mil páginas, em tempo de pré-campanha eleitoral autárquica, a escassos 24 dias das eleições, e num momento em que o líder da oposição se encontra num calamitoso estado de prostração, mais parecendo um golpe de misericórdia, com o condenado a caminhar pelo próprio pé para o cadafalso?

O QUE NÃO ME PARECE despropositado é a suspeita de que, com António Costa, passámos a ter um grupo de comunicação social do regime, a “Impresa”. Já lá estava o irmão, o inefável áugure do regime, agora também ele lá fica como Oficiante.

NADA DISTO me parece muito edificante. Tudo sabe a montagem, a aliança tácita de poder, a manobrismo encapotado nas barbas da cidadania. Só falta mesmo incorporar o PSD no PS e criar uma União Nacional, com imprensa do regime, a que se pagará para vigiar e perseguir a pós-verdade, as fake news, a desinformação, através de uma norma regulamentar. Para controlar a incontrolável rede, já que para os outros grupos de comunicação sempre haverá, como houve, alguns milhões de financiamento. 

DIR-ME-ÃO: que mal tem isto? É só uma homenagem, como tantas outras. Até poderá ser, mas não parece e nem sequer parece poder estar inscrita num qualquer genuíno código protocolar da democracia. São excessivas as coincidências, é excessiva a aproximação de dois poderes que se deveriam manter respeitosamente distantes, são falaciosas as justificações para o facto, o tempo do acontecimento é errado, e mesmo inaceitável, as cumplicidades começam a ser por demais evidentes e o que parece ser mais preocupante é a redução da política a mero exercício de poder, tudo sendo legítimo para este fim. Esta, de facto, parece-me ser uma pura operação de poder, um puro ritual de oráculo, uma manobra de bastidores coberta pelo manto diáfano da celebração oficial, a caminho de uma anémica democracia. Não, não me parece que esta celebração tenha sido uma boa ideia e que augure um futuro radioso para a nossa democracia. #Jas@09-2021

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Artigo

OPERAÇÃO CONGRESSO EM QUATRO ANDAMENTOS

por João de Almeida Santos

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S/Título”. Jas. 08-2021.

PRIMEIRO ANDAMENTO: a ida simultânea do PM e dos dois ministros seguintes para férias, ficando Mariana Vieira da Silva (MVS) em funções de PM. Segundo andamento: o Presidente do PS, César, propõe-a como um dos ungidos pelo oráculo do Rato para futuros sacerdotes supremos. Terceiro andamento: o “Expresso”, o missal do regime, noticia que os ungidos pelos senhores do PS para suceder ao actual líder são quatro. A unção parece ter tido lugar no oráculo, tendo depois participado nela o “Expresso”. Quarto andamento: a SIC, terminal electrónico do missal do regime, anuncia urbi et orbi que os quatro ungidos são: Fernando Medina, Ana Catarina Mendes, Mariana Vieira da Silva e Pedro Nuno Santos. Missão cumprida. O ritual de celebração terá lugar na missa cantada do fim de semana no Algarve, em português. 

COMO TUDO NA VIDA, há um aspecto que parece encaixar mal nesta operação: um dos quatro anunciados “papabili” parece não ter sido propriamente ungido, tendo a sua inclusão sido decidida por mera exigência protocolar, porque há muito que tem voz própria e intervém politicamente sem pedir prévia autorização ao oráculo. Falo de Pedro Nuno Santos. Concorde-se com ele, ou não, a sua autonomia é facto por todos reconhecido. Mas, vá que não vá, falando dos outros dois, um até é presidente de câmara eleito, enquanto a outra é líder parlamentar e já foi secretária-geral adjunta, também por vontade do líder, sendo certo que ambos participam sempre nas celebrações como oficiantes. Mas MVS, além de estar no governo por vontade do PM (e certamente do influente Pai), o que é que já fez de politicamente relevante, no governo ou no partido, que justifique tal destaque, tão inopinada promoção?

A OPERAÇÃO é mesmo escandalosa porque a notícia é descaradamente plantada, digo plantada, pelo “Expresso” (não sei se pelo áugure Ricardo Costa) e pela SIC, seu megafone, ao ponto de, nesta última, toda a notícia de terça-feira se ter resumido a promover exclusivamente MVS, silenciando todos os outros. Alguém no PS (mas não é difícil saber quem) urdiu, em tempo de Congresso, este blitzkrieg em quatro andamentos e em aliança com o grupo de Balsemão para inopinadamente colocar a senhora em pole position, pondo na sombra todos os outros, mas, sobretudo, o único que tem mesmo voz própria, Pedro Nuno Santos, conquistada politicamente há muito no interior do partido, mas também nos governos, e sem santos padroeiros.

MAS, PIOR AINDA do que tudo isto, é reduzir, desta maneira, o PS (a que me honro de pertencer) a mera massa de manobra legitimadora de opções de palácio de uns tantos de dentro e de outros tantos de fora. Isto já se viu nestas autárquicas e ver-se-á cada vez mais no futuro se estes processos não forem travados e o partido não for politicamente reanimado. No final, o resultado seguramente não será bom de se ver, a crermos no que está a acontecer com os outros partidos socialistas e sociais-democratas Europa fora. No dia do Congresso – que mais parece uma missa cantada – não poderia ficar calado ao assistir a esta despudorada operação, com assinatura, de promoção de alguém que está ainda muito longe de ter dado provas de consistência política própria que justifiquem uma inopinada subida ao palco da política partidária, mas também à lamentável subalternização da militância e do que deve ser o funcionamento democrático de um grande partido como o PS.

HÁ MUITO QUE DIAGNOSTIQUEI, e repetidamente venho expondo, o que está em causa, mas o discurso sempre caiu em saco roto. Um dos males é a endogamia galopante e o outro a descolagem crescente entre partido e a nova cidadania (para não dizer a própria militância). Males que continuam a crescer, como mostra este episódio. Pois aqui fica o meu protesto e lavrada a minha indignação. #Jas@08-2021

Informação aos Leitores

INFORMAÇÃO AOS LEITORES

Microsoft Word - JOÃO DE ALMEIDA SANTOS.docx

A TODOS OS AMIGOS E LEITORES QUE AQUI ACOMPANHAM A MINHA POESIA, A MINHA PINTURA, OS MEUS ARTIGOS E ENSAIOS, INFORMO:

1. Durante o mês de Agosto suspenderei a regularidade das minhas publicações. Foram vários anos sem interrupções e chegou a altura de fazer uma curta pausa de reflexão.

2. Entretanto, antecipo a capa de um Livro de Poesia de minha autoria, João de Almeida Santos, Poesia (Lisboa, Buy The Book, 2021), prestes a entrar em tipografia. O livro inclui 67 poemas, um capítulo “Sobre a Obra de Arte” e, outro, com “Diálogos com os  Leitores Digitais” sobre vinte dos poemas aqui publicados, tendo alguns destes poemas ilustração no livro. Tem 438 páginas (contando com as ilustrações), capa rija, cosido, com 12 ilustrações de minha autoria reproduzidas em papel couché mate. A capa reproduz uma obra minha: “O Aurífice”, criada para o poema “Esculpir-te”.

3. Prevejo que o livro esteja disponível ainda este mês ou no início de Setembro.

4. Será uma edição limitada (150 exemplares) e só pode ser adquirido por encomenda, via WhatsApp, Messenger ou E-mail, feita ao autor.

5. É editado pelas Edições Buy The Book.

6. Aqui fica uma antevisão da Capa e do Índice.

7. Índice do livro:  João De Almeida Santos, Poesia, Lisboa, Buy The Book, 2021

NOTA INTRODUTÓRIA

I - SOBRE A OBRA DE ARTE

II - POESIA

1 - CANTAR

Sou o que sou
Palavras
O poema
Canta, poeta, canta
O poeta que se fez pintor
Pintei-te
Não sei se te chegam, as palavras
A carta
Segredo I
Solidão
Esculpir-te
Invocação
Lua
O poeta e a máscara
O poeta e o vendaval
Elas fogem, as palavras
A palavra proibida
Confissões de um confinado
Geometria
O benfeitor

2 - TEMPO

Tempo
A porta do tempo
A reinvenção do tempo
Espelho do tempo
A fronteira
Na bruma da memória
Março
Mudam os ventos e mudam as palavras
Catedral
Rituais
Para Leonard

3 - RAÍZES

Jasmim
Romã
Tentação
Teu corpo de cristal
Casta diva
Mandei podar o loureiro
O pavão
O jardineiro

4 - VIAGEM

Viagem
Liberdade

5 - MUSA

Musa
Cor, dá-me cor
A flor de papel
O meu nome
Marmelada
O brinco
O beijo
Não sei
A janela
À janela
Certos dias
Encontrei-te lá em cima, no monte
Origem
Segredo II
Caminhos paralelos
Valsa
Pas de Deux
Nostalgia

6 - SONHO E UTOPIA

Sonhar
A aguarela
Quase
Alma
Um sonho na aldeia
Vou contigo pra Pasárgada
Vã utopia

III - REFLEXÕES EM TORNO DOS POEMAS
Diálogo com os Leitores Digitais

IV - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAs

#JAS@08-2021