Poesia-Pintura

DANÇA DA SOLIDÃO

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Perfil de Mulher”
JAS 2022 (94x114, impressão Giclée, 
papel de algodão, 310gr, e verniz  
Hahnemühle, Artglass AR70, em mold. 
de madeira - Colecção privada)
Original de minha autoria
Abril de 2026

“Perfil de Mulher” – JAS 2022

POEMA – “DANÇA DA SOLIDÃO”

PARA QUE SERVE
A poesia
Se não a sentes
Por dentro?
Para que serve
A pintura
Se não a contemplas
Com a alma?
Mas para que sirvo eu,
Poeta-pintor
Do ocaso,
Se já não vejo
A musa
(Lá fora),
Mesmo que a sinta
Cá dentro
(Como agora)?

PARA NADA,
A não ser
Para celebrar
O futuro
De um passado
Que não aconteceu,
Perdendo-me
Na acústica
Dos ecos
Silenciosos
Da alma,
Enganar-me
Docemente
Em encontros
Inventados,
Ir por aí
Sem saber
Pra onde vou,
Desaparecendo
Na montra
Dos meus inúteis
Passeios
Pela arte
Onde procuro
Teimosamente
Tudo aquilo
Que já não sou.

AO MENOS DANÇO
Em “pas de deux”
Com meus poemas
Desenhados
A preto e branco,
Enredado
Nos mil fios
Da fértil
Imaginação
Do poeta-pintor
Que levita
Sobre os escombros
De uma casa
Que nunca
Construiu
Sobre os alicerces
Da dor.

É A DANÇA
Da solidão,
Com a musa
Suspensa
Nos fios
Da teia
Em que vou
Enredando
Poeticamente
A minha vida,
Até tombar exausto,
Ao cair do pano,
Ritual inútil
De uma eterna
Despedida
Em poético
Engano.

 

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