Novo Livro

NOVO LIVRO de JOÃO de ALMEIDA SANTOS

João De ALMEIDA SANTOS, POESIA, 
Lisboa, Buy The Book, 2021, Páginas: 424.
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João de Almeida Santos, POESIA, Lisboa, Buy The Book, 2021, 424 pág.s.

MUITO EM BREVE este LIVRO 
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CONTEÚDO:
1. Nota Introdutória. 
1. Ensaio sobre Estética; 
2. 66 poemas; 
3. Diálogo com os leitores digitais; 
4. 14 Quadros do autor.
Bibliografia.

CARACTERÍSTICAS: 
Capa rija, cosido, sobrecapa, papel gramagem 100.
UMA BELA OFERTA DE NATAL.
Edição limitada. 
FAÇA JÁ A SUA RESERVA DO LIVRO.

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Poesia-Pintura

O POETA-PINTOR

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Musa”.
Original de minha autoria.
Outubro de 2021.
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“Musa”. Jas. 10-2021

POEMA – “O POETA-PINTOR”

O POETA BRINCAVA
Com suas palavras,
Cantava-te sempre
Quando não estavas.

ERA UM POETA,
Era fingidor,
Não te desenhava,
Cantava-te
A cor.

SUAS CORES
Eram as palavras,
Fazia pincel
Da sua caneta,
O pintor riscava,
Mas a sua tinta
Já não era preta.

POR ISSO COMPROU
Um belo pincel...
................
Pintava, pintava,
Era a granel,
E a sua tela
Deixou de ser
O velho papel.

DESCOBRIU A COR,
Que o fascinou.
Azul, vermelho
E tanto amarelo...
...............
Tudo ele pintou,
Procurando sempre
O que era belo.

ATÉ QUE O ENCONTROU
Na cor dos
Teus olhos.
Era luz da pura
Que iluminava
O novo papel
Onde desenhou
O teu fino rosto
Com o seu pincel.

DEU CORPO À COR
Com que te dizia,
As suas palavras
Tornaram-se riscos,
Mais que poesia.

PINTAVA-TE ASSIM,
Os poemas
Já não lhe chegavam,
Pintor de palavras
De cor as compunha
E versos voavam
No azul do céu...
..................
“E o que tu fazias
Faço agora eu”
(Dissera-lhe um dia)
“Porque sou poeta
Mas também pintor.
Deixaste-me só
Entregue à palavra
E eu,
Tão pobre de ti,
Pintei-me de dor.”

“MAS EU FAÇO DELA
O meu arco-íris
Pra subir ao céu
A ver se t’encontro
Atrás duma cor,
Pintando o teu rosto
Para um poema
Que vou escrever
Com este pincel
Que trago comigo
Enquanto viver”.

O POETA BRINCAVA
Mas era séria
Essa brincadeira,
Perdido em palavras
Encontrou a cor
E nos seus poemas
Dela fez bandeira...
................
Tornou-se pintor.

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Poesia-Pintura

TARDO A ENCONTRAR-TE

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “A Mulher, 
a Janela e o Espelho”.
Original de minha autoria.
Outubro de 2021.

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“A Mulher, a Janela e o Espelho”. JAS. 10-2021.

POEMA – “TARDO A ENCONTRAR-TE”

TARDO A ENCONTRAR-TE
Porque não sei
Como procurar-te
Levado
Por um poema
Com as asas
Do desejo...

NÃO É A VONTADE, NÃO,
Mas o destino a marcar
Os passos que
Eu darei
Ou que nunca
Ousarei
Nesta estreita
Vereda
Da minha vida.

E TU SABES
Que não sei,
Mas sabes por onde
Andei
E me perdi,
À procura do que
Não podia ter
Pra preservar
O que apenas
Me sobrava...
...............
Dentro de mim.

ÀS VEZES
Encontrava-te...
Encontros fugazes
Onde o teu brilho
Cegava
Por fora
E me iluminava
Por dentro...
...............
E cantava-te
E pintava-te a alma
Com palavras roubadas
Ao arco-íris.

MAS NÃO SEI
Se te hei-de querer
Para nunca
Te ter,
Sentir saudades,
Logo ao amanhecer,
Do perfume 
Da aurora,
Quando te reencontrava
Na memória fresca
E matinal
Dos afectos 
Indefinidos
De outrora,
Os mais perfeitos
E contidos.

SIM, DEIXO-ME IR
Nas mãos do destino,
Bem sabes,
Mas há sempre
Um súbito
Sobressalto
Quando o real
Me atropela
Por dentro
E tudo se torna
Inóspito...

MAS SE NÃO 
Me deixo ir
Por aí,
Viajo para outros
Lugares,
Tenho sempre
De viajar
À procura de mim,
De um espelho onde
Me veja por dentro
A olhar-te
Por fora,
À espera do próximo
Sobressalto...
................
Que nunca demora.

AH, COMO ME FALTA
Esse véu que te cobre
Quando te quero
Pintar com palavras
E te vejo
Nua,
Com a alma a tiritar,
À mercê dos sobressaltos
Que te marcam
Como sulcos,
Cicatrizes ásperas
Da vida.

MAS EU PROCURO-TE
Com disfarçado
E tímido
Olhar,
Perscrutando
A alma
Que se aninha
Em ti
Para te proteger
Do risco da beleza
Exposta
Como fractura,
Aquela que os poetas
Sofrem, sim,
 Mas cantam
Quando sentem a
Liberdade
Ali por perto.

TALVEZ A NOITE
Te sirva de véu
E te cubra 
As cicatrizes
Da vida,
Luz coada pela
Penumbra
Que te amacia
A pele
Encrespada
E te devolva como
Sonho
Acetinado
Onde reinventar-te
Como mulher
Desejada,
Para além do bem
E do mal,
Para além do pecado.

MAS EU NÃO SEI,
Tenho medo
Dos sobressaltos,
De ser atropelado
Na esquina de um
Inocente
Jogo sedutor
Que te cative a
Alma
Já em fuga
Para o infinito
Que, ao longe, 
Se cruza
Nos nossos olhares...
..............
Intermitentes.

TARDO A ENCONTRAR-TE
No bulício dos nossos
Dias,
Até que no amanhecer
De um poema
Te volte a visitar
E te diga,
Com olhar
Submisso:
"Ah, que saudades
Eu tinha de ti..."
Mas talvez já seja
Tarde demais.

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Poesia-Pintura

CATEDRAL

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: "A Fonte".
Original de minha autoria.
Outubro de 2021. 
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“A Fonte”, Jas. 10-2021.

POEMA – “CATEDRAL”

VIAJEI NO TEMPO
Até à cidade,
Encontrei-te
Por ali,
Rosto sereno,
Inocente,
Como quem
Sempre sorri.

FOMOS AO TEMPLO
Da rua
Da minha vida,
À cúpula
Da catedral...
..............
Não te abracei
Nessa noite,
Era sagrado
O lugar,
Seria abraço
Fatal.

MAS FICOU-ME
O prazer
De te ter ali
A meu lado,
A sonhar-te
Nos meus braços,
Nos beijos
Que não trocámos
Numa noite
De luar,
Quando o amor
É mais intenso
E o corpo
Se desnuda
De tanto a lua
Brilhar.

FOMOS À PRAÇA
NAVONA,
Escutámos
As águas
Da "Fonte
Dos Quatro Rios"
(Essa dádiva
Do Bernini),
Íntimos,
Em sintonia,
Antevendo um futuro
Que nunca mais
Chegaria...

ATÉ QUE ME PROCURASTE
Nessa fita
Da memória,
A noite perdida
De afectos
No alto da catedral,
Corpos tensos,
Sem palavras,
Na fronteira
Do amor...

TORNOU-SE MAIS VIVO
Que nunca
O que não aconteceu
Como se fosse
Futuro
Que, afinal,
No teu passado
Ainda não se
Perdeu.

E CÁ ESTAMOS DE NOVO
À procura
Dessa noite,
Dos beijos
Que não te dei,
O passado já é
Futuro
E desse tempo
No limiar
Do sagrado
Já não sei
O que farei.

TALVEZ FAÇA UM POEMA
Para te reencontrar,
Cantar esse
Sorriso terno
De que sempre
Eu gostei,
Voar no tempo,
No espaço sideral,
Pousar de novo
Contigo,
Numa noite de luar,
Na cúpula
Da catedral...
Obelisco19_02_1 Rec

“A Fonte”. Detalhe.