Poesia-Pintura

FANTASIA

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Rubor”
Original de minha autoria para
este poema. Setembro de 2020
Luz6

“Rubor”. Jas. 09-2020.

POEMA – “FANTASIA”

O TEU ROSTO
Assomou
No meu Jardim
Quando a luz branca
Irrompia,
Num insólito entardecer,
Por entre a espessa
Folhagem
Do vasto e belo
Jasmim...
...................
E logo eu me perdi
Nesse doce
Acontecer
Que descia
Sobre mim.

ASSOMAVAS
Como flor
Num súbito espanto,
Despertada
Pelo mundo,
Com o rosto
Em rubor
Quando ouviste
Este meu canto
Profundo...
.........
Invocar
O teu amor.

A LUZ ERA NEVE
Derramada
Sobre ti
No coração
da Primavera
E o inverno
Que te cobria
Essa alma
Atormentada
Desceu
Ao meu Jardim
Encantado
(Minha mágica
Quimera),
Nessa tarde
Luminosa
De um branco
Imaculado.

E EU FIXEI-O,
Esse inverno
Tão tardio,
Que caía
Sobre ti
Lá do alto
Do arbusto
(Tão macio)
Que me protege
As cores
Com que te pinto
E as palavras
Que te canto
(Como ousado
desafio).

AH, ERAS MESMO TU
Disfarçada
De Flor
Que germinou
No húmus
Desse Jardim
E assomou ao
Meu olhar
Para logo
Sussurrar:
“- Oh, este amor
Não vai ter fim”.
Luz6Rec

“Rubor”. Detalhe.

Poesia-Pintura

MUDAM OS VENTOS E MUDAM AS PALAVRAS

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Encruzilhada”.
Original de minha autoria para
este poema. Setembro, 2020.
Folhagem

“Encruzilhada”. Jas. 09-2020.

POEMA  – “MUDAM OS VENTOS E MUDAM AS PALAVRAS”

“MUDAM OS VENTOS
E mudam as palavras”,
Assim falava o poeta.
De sinais
Tudo sabia,
Mas de ventos,
Isso não,
Sobre Éolo
Nada podia.

MUDAM AS VONTADES
E também mudam
As cores,
Fortalece
O desejo
À procura
De alimento,
Tudo muda,
Tudo gira
E também muda
O vento.

O QUE CONTA
São os ciclos
Desta vida,
Os que o tempo
Desenhar
Pra cada nova
Partida
Num eterno
Movimento
Como as ondas
Do mar.

HÁ ENCRUZILHADAS
E é preciso
Escolher
Para logo decidir
Ainda que seja
Do mesmo
Se não pudermos
Fugir.

E EU ÀS VEZES DECIDO
E volto a decidir,
Mas encontro
Sempre o mesmo
E logo volto
A cair...

TAMBÉM NÃO HÁ
Muito a fazer
Porque o vento
Sopra sempre
Numa certa direcção
Para levar
As palavras...
..............
Quando sopra
De feição.

MUDAM OS TEMPOS
Muda a vontade,
Muda o vento
De direcção
(É verdade),
Mas as cores
Do arco-íris
Viajam sempre 
Comigo
Mesmo que digas
Que não.
FolhagemREC

“Encruzilhada”. Detalhe.

Poesia-Pintura

ESTÃO CANSADAS, AS PALAVRAS…

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Chorar”.
Original de minha autoria
para este poema. Setembro de 2020.
Jas_Chorar0609Pub

“Chorar”. Jas. 09-2020.

POEMA – “ESTÃO CANSADAS, AS PALAVRAS…”

LUTO CONTRA O CANSAÇO
De te recriar,
Aqui,
Neste Jardim,
Numa busca
De palavras
E de cores
Que parece
Não ter fim...

AS PALAVRAS AMEAÇAM
Nada dizer,
Braços caídos,
E as cores
Já desbotam
Nos cenários
Coloridos.

POR TANTO ME ESCONDER
Atrás delas,
Fingindo
Nada saber,
Arrisco
Perder-me
Neste Parnaso
Onde te venho
Cantando,
Por certo,
Não por acaso.

DE NADA VALE
Pedir-te
Um simples sinal,
A ti,
Que os manejas
Com mestria
E sageza,
Ao sabor dos teus
Caprichos
E de uma triste
Dureza.

TALVEZ ANDES
Distraída
Com futilidades
Da vida,
Mas já não sei bem
Quem tu és
De tão antiga
Ser
Esta nossa
Despedida.

AS PALAVRAS ESTÃO
Cansadas
De te procurar
Com o vento
Sem saber
Onde pousar
Nesse teu mar
Tão cinzento.

NÃO FOSSEM AS CORES
Do arco-íris
A pintar o rio
Da tua vida
E talvez já tivesse
Procurado
Outra foz
Onde banhar
O meu estro e
Dar palco
A outra voz.

MAS SEI
Que procuraria
Sempre a tua
Réplica
(Que nunca
Encontraria)
E então regresso
À memória
Colorida
Desta minha fantasia,
Povoo-me
De imagens,
Construo catedrais,
Afundo-me na arte...
...............
E, olha,
Pensa bem no que
Eu te digo,
Pois já não sei
Em que mais,
Para além deste
Sofrido castigo.
Jas_Chorar0609PubREC

“Chorar”. Detalhe.