Pintura

“KETROF”

Pintura
(Tela, 135x100)

By João de Almeida Santos

PARTILHO hoje este quadro,
de minha autoria, inspirado
na “Quinta do Quetrofe”.
Agradeço ao António Fontes
ter-me autorizado a divulgar,
aqui, esta obra, de sua
propriedade.
A “Quinta do Quetrofe”
encontra-se na vertente leste da
Serra de Famalicão (Guarda),
a mil metros de altitude,
com uma belíssima
vista para o Maciço Central.
QdQuetrofe

“Ketrof”. Jas. 08-2020.

Poesia-Pintura

POR UM SORRISO…

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Há Vida no Jardim”. 
Original de minha autoria 
para este poema. Agosto de 2020.

JardimAnimado27082020

“Há Vida no Jardim”. Jas. 08.2020.

POEMA – “POR UM SORRISO…”

OFERECIA-TE
O mundo
Por um sorriso
E um terno
Olhar
Desses olhos
Negros
Onde gosto
De navegar.

MAS É CERTO QUE
Não terei,
Foi promessa
Para a vida,
Eu bem sei.

NÃO IMPORTA,
Também o mundo
Não é meu
Para o oferecer...
..................
Ah, mas dou-te
As mágicas
Paisagens
Do meu olhar,
A incandescer,
Os frutos
Da minha arte,
Recrio-te
Em ausência,
Como diz a Yourcenar,
E então ficas
Mais bela
Que tu mesma...
...............
De tanto assim
Te amar.

DEI-TE HÁ DIAS
Um talismã
Pra que te guie
Na vida.
Fi-la eu,
A alquimia,
Com essas vibrantes
Cores,
Luz que brilha
Cada dia...
.............
Como em todos
Os amores.

SIM, EU TENHO
O mundo espelhado
No meu coração,
Lugar de onde
Te vejo
À distância
E à medida
De uma insólita
Paixão
E de um intenso
Desejo...
.........
Profundo
Como vulcão.

MAS ESSE SORRISO
E teu olhar
Não os terei
Para melhor
Te amar...
................
Como eu sei.
Então canto-te
Para espairecer
E comigo te
Levar
Como sempre
Desejei.

TENHO-TE ASSIM,
Em fantasia,
Este modo
De te ter
Cada noite em
Cada dia...

JardimAnimado27082020R

“Há Vida no Jardim”. Detalhe.

Poesia-Pintura

OFEREÇO-TE UM TALISMÃ…

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Talismã”. Original
de minha autoria para este poema.
Agosto de 2020.

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“Talismã”. Jas. 08-2020.

POEMA – “OFEREÇO-TE UM TALISMÃ…”

OFEREÇO-TE UM TALISMÃ,
Meu símbolo
Do teu encanto,
Como se fosses
Irmã,
Aqui, neste Jardim,
Aqui, neste recanto.

VOA ALTO
O talismã,
Procura-te,
(Mas não sei onde),
Tem poderes
E tem magia,
(Que esconde),
Protege o teu
Caminho
Em cada nova
Partida,
A tua cartografia,
O mapa da tua 
Vida.

VOA, SIM, O TALISMÃ,
Desenhei-o
Para isso,
Um sopro
Forte
Na alma,
Lado belo do
Feitiço.

TEM AS CORES DO
Arco-íris,
Ilumina o
Teu rosto,
As margens
Da tua vida,
Tudo aquilo
De que gosto...
................
Ver-te sempre
Protegida.

BRILHA
Pela matina
Com teus cabelos
Ao vento,
Um sorriso
Em teus lábios
Que acende
O meu olhar
Quando desperto
Ao relento
Do sonho
De te amar.

É GRANDE
O seu poder
E forte como o
Amor,
Bons auspícios
Para ti,
Remédio
De alquimista
Pra curar a
Minha dor.

OFEREÇO-TE
O talismã,
Aceita-o
Com alegria,
Protege
O teu destino,
Da vida
A travessia,
Um caminho
Genuíno,
Da alma
A alquimia.

JAS_TalismaFinalPubRec

“Talismã”. Detalhe.

Poesia-Pintura

VALSA

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Timidez”. Original
de minha autoria para este poema. 
Agosto de 2020.

JAS_Timidez1608FinalPub

“Timidez”. Jas. 08-2020.

POEMA – “VALSA”

DANÇAREI SEMPRE
Contigo,
Dançarei,
Uma valsa
(Só eu sei)
Que não tem fim...
............
Mas que não
Seja castigo
Esta magia
D'encanto
Que tomou conta
De mim!

NÃO ME CANSO,
Nesta valsa,
Não me canso...
.............
O corpo nada
Me diz,
Eu danço 
A vida contigo
Porque és
A minha fada,
Da minha alma
Matriz.

VÊS?
É uma dança
Interior,
Produto da fantasia,
Procuro-te
Onde quiser
Para contigo
Dançar
Esta nossa 
Melodia...

MAS ENCONTRO-TE
Sempre,
Austera e
Imponente,
Neste Jardim
Encantado,
Fada
Em forma de
Arbusto
(Bem copado)
Ou rutilante
Flor...
............
E por isso
Te dedico
Uma longa
E sofrida,
Mas doce
E desmedida,
Sinfonia
Ao amor.

JAS_Timidez1608FinalPubReco

“Timidez”. Detalhe.

Artigo

SOBRE O DISCURSO DE ÓDIO NA INTERNET

JOÃO DE ALMEIDA SANTOS

Imagem1

“Politically Correct”. Jas. 08-2020

A PROPÓSITO DA MONITORIZAÇÃO, através de um 
Observatório sobre o discurso de ódio na Internet 
que o Governo português vai promover, recordo 
um concurso lançado, em 2018, pela União Europeia 
sobre este tema no espaço da União:


Project: OvERlOOk web ObsERvatory 
On Online hate speech
TOPIC: Call for proposals to monitor, 
prevent and counter hate speech online”. 
A chamada fez parte do Rights, Equality 
and Citizenship Programme for the period 
2014 to 2020. Deadline: 11 October 2018. 


E RECORDO também a iniciativa da 
Comissão Europeia e das grandes Plataformas 
da Rede acerca do mesmo assunto:


“The European Comission and the IT Companies 
announce Code of Conduct on illegal 
online hate speech”. 31.05.2016. 
“The Commission together with Facebook, Twitter, 
YouTube and Microsoft (“the IT companies”) 
today unveil a code of conduct that 
includes a series of commitments 
to combat the spread of illegal 
hate speech online in Europe”.

ESTA ATENÇÃO especial não é, pois, nova 
e já foi objecto de iniciativas da 
União Europeia, pelo menos desde 2016. 
Seria bom que o Governo, para começar, 
publicitasse os resultados do Projecto  
Europeu acima referido e também os acordos 
alcançados com estas Grandes Plataformas. 
Seria necessário saber se, no seguimento 
do concurso de 2018, cujos resultados 
foram conhecidos nos inícios de 2019, 
já existe, ou não, um Observatório 
Europeu sobre “Hate Speech”.
É O INÍCIO de um processo de regulação 
básica da comunicação online que, no meu 
entendimento, não interfere com a liberdade 
na rede. Nas eleições para o Parlamento 
Europeu, em 2019, este Código de Conduta 
já fora aplicado com resultados muito 
significativos: a título de exemplo 
demonstrativo da relevância política 
atribuída às fake news e, em geral, à 
 desinformação, a nível político-institucional 
e organizacional, refiro a iniciativa da 
Comissão Europeia 
e das principais plataformas digitais, 
Facebook, Google, Twitter e YouTube, 
citando uma notícia de “El País”: 
“Según el informe de la Comisión, 
Google informó de la retirada 
entre enero y mayo, a nivel mundial, 
de más de tres millones de canales de 
YouTube; Facebook desactivó más de 
dos millones de cuentas falsas en el 
primer trimestre de este año; y Twitter 
verificó si 77 millones de cuentas 
eran reales” (El País, 14.06.20).

A QUESTÃO que se põe tem duas faces:
  1. 1. Se os governos ou a União Europeia podem 
    monitorizar o discurso público e, 
    eventualmente, sancioná-lo, quando agredir 
    os princípios básicos das constituições 
    e dos tratados ou dos seus protocolos.
  2. 2. Se as Universidades podem e devem 
    estudar todos os fenómenos sociais, 
    sem interferências políticas e  
    institucionais sobre os conteúdos.
ESTA ÚLTIMA questão veio à agenda pública 
a propósito de um livro sobre o Chega, 
envolvido em aspectos censórios e militantes. 
Mas a primeira, se for identificada como 
política de apoio e financiamento da investigação 
científica nas Universidades e UI&D,  
 nada tem de censurável. Bem, pelo contrário. 
Eu próprio, que tenho ideias bem firmes 
sobre a democracia e a liberdade, 
tendo lutado por elas durante o regime 
fascista, participei num concurso da UE 
sobre o discurso de ódio nas plataformas 
online, liderado pela Fundação da CGIL, 
a mais importante federação de sindicatos 
italiana, “Fondazione Giuseppe di Vittorio”.

MAS HÁ ALGO de que, decididamente, 
não gosto: polícias do pensamento, 
sejam eles de direita ou de esquerda. 
E eles abundam por aí disfarçados, 
à esquerda, de politicamente correcto 
e de polícias da ética republicana. 
E não gosto porque o combate só pode 
ser um: o discursivo e argumentativo. 
Não se vai lá com abaixo-assinados de 
repulsa pelo que o outro pensa.  
Combate-se, argumentando, não policiando. 
Tenho na minha biblioteca dezenas 
 e dezenas de livros sobre o fascismo, 
o nazismo, o comunismo das mais variadas 
orientações. E comprei-os com dinheiro meu. 
Para estudar e compreender. Para combater 
no pano das ideias. Na verdade, o combate 
mais importante é o da educação para 
a cidadania, para os valores sociais e 
para uma estética como base da 
sociabilidade. Lembro-me sempre das 
 Cartas sobre a Educação Estética do Homem 
("Ueber die aestetische Erziehung des Menschen", 
1794 - que os vigilantes do politicamente 
correcto um dia corrigirão para 
“Cartas sobre a Educação Estética do 
Ser Humano”, exactamente como fizeram 
com a “Declaração Universal dos 
Direitos do Homem”, de 1948, 
e como certamente farão com a "Declaração 
dos Direitos do Homem e do Cidadão", de 1789), 
de Friedrich Schiller, e da sua curiosa 
proposta de um Estado Estético (uma reflexão 
minha sobre este assunto em Santos, J. A. 
Os Intelectuais e o Poder, Lisboa, Fenda, 
1999, pp. 42-51).

EM MATÉRIA de publicações nas redes 
sociais, o critério das grandes plataformas 
é muito menos exigente do que o dos chamados 
“códigos éticos” do jornalismo, claramente 
aceites pela sociedade, mas muito pouco 
praticados pelo jornalismo actual. 
Outra coisa é os governos começarem
 criar autonomamente códigos de conduta. 
Não conheço nenhum código ético de jornalismo 
assinado por um governo democrático, 
mas conheço, sim, um código assinado 
pela Assembleia Parlamentar do Conselho 
da Europa, quanto a mim o melhor código ético 
alguma vez adoptado (Resolução 1003 da 
Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, 
de 01.07. 1993). Os códigos são, de resto, 
coisa antiga, que já vem desde o código 
Harris de 1690, e visam no essencial garantir 
a independência e a correcta gestão do 
bem público informação, ao serviço da cidadania.
 Outra coisa diferente é a de as Universidades 
darem atenção aos discursos que circulam 
na rede ou na comunicação social – 
incluídos os discursos de ódio - com 
o objectivo de os estudarem, enquanto fenómenos 
sociais. Isso, sim, é absolutamente desejável. 
Quanto ao combate, é, claro, legítimo e desejável, 
mas não pode ser feito em nome do politicamente 
correcto e ainda menos em nome 
da ciência (social). Combate-se com argumentos 
e influência social.

NÃO CONHEÇO o livro do autor italiano 
sobre o Chega (li apenas o artigo 
de Marina Costa Lobo, no público de ontem,
e o famoso abaixo-assinado),
mas conheço relativamente bem 
 o discurso deste partido e parece-me 
que há três coisas que devem ser evidenciadas, 
a propósito: a) se este partido é, ou não, nos 
termos da CRP, inconstitucional (nomeadamente 
nos termos do n. 4 do art. 46); b) este partido 
alimenta-se da oposição ao politicamente correcto, 
misturando um populismo anti-sistema com um 
populismo identitário; c) e cresce porque
 está permanentemente no topo da agenda, 
levado pelos vigilantes do politicamente correcto 
(mas, a este respeito, seria aconselhável 
que vissem o que diz a teoria do “agenda-setting”, 
de Maxwell McCombs e Donald Shaw).

EM CONCLUSÃO, é útil e desejável 
que haja um Observatório Europeu, 
liderado por Universidades e por UI&D, 
sobre o discurso de ódio, sobre fake news 
e desinformação,
iniciando um processo de regulação da 
rede (para além do que são já as normas 
legais existentes e aplicáveis ao uso 
do espaço público), fundado essencialmente 
na auto-regulação e na defesa de um 
espaço público respeitador dos princípios 
que constam das Cartas Universais dos 
Direitos Fundamentais. 
O que não é, todavia, desejável 
é o policiamento do pensamento e da 
linguagem nos termos em que os vigilantes 
do politicamente correcto o têm vindo a fazer. 
Sinceramente, eu tenho mais medo dos polícias 
do pensamento e da linguagem do que das 
velhas botas cardadas. Colonizar consciências 
é mais perigoso do que amedrontar corpos.

PoliticallyCorrect1R

“Politically Correct”. Detalhe.

Poesia-Pintura

ESTRANHO, NÃO É?

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Terraço”.
Original de minha autoria
para este poema.
Agosto de 2020.
Terraço0908_2Mono

“Terraço”. Jas. 08-2020.

POEMA – “ESTRANHO, NÃO É?”

É VULGAR SONHAR-TE
Em ambiente idílico,
Dirás.
Sim, bem sei,
Tu que nada terias
De romântico
Mesmo que eu fosse
Um rei.

MAS, FOI ASSIM
Que te sonhei,
Aqui, onde o céu
Parece um lago
E as grades são,
À vista
Do casario
Que me veste
O olhar,
A minha libertação,
O meu tão cantado
Lar.

É AQUI QUE
Eu te tenho,
É aqui que eu
Te sonho,
Que te canto
E te choro,
É aqui que
Sobrevivo
Porque é aqui
Que te adoro.

PINTO-TE,
  Sabes?
Pinto o lugar
Onde te vejo
E te quero,
Onde mais
Eu já te sinto...
..............
E desespero...

ESTRANHO, NÃO É?
É um sítio
Onde só vives
Sob forma
De arbusto
E te respiro
O perfume,
Adormeço
Ao relento,
Te sonho
Com as estrelas
E viajo
Com o vento...
............
Como lume.

SINTO-TE PERTO
Quando te canto
(Liberto)
E me aprisiono
Na ideia que
De ti eu tenho
E onde mais
Me abandono.

PERCO-ME, SIM,
Nestas cores,
Nestas palavras,
Na minha fantasia,
Enquanto tu
Te perdes
Num silêncio
Programado,
Tal como eu,
Nesta minha
Teimosia,
Meu destino
E triste fado,
Tão sofrida
Nostalgia.

MAS EU ESCREVO
E pinto
Para ti,
Meu amor,
Alimento
(Com dor)
Do teu futuro
Quando olhares
Para trás
E só vires
Este meu canto
(Já tão maduro)
Na tua vida
Porque não foste
Capaz
De manter
A ilusão
Por ti sempre
Prometida...
Terraço0908_2Rec

“Terraço”. Detalhe.