Poesia-Pintura

OCASO

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Rasto de Luz” - JAS
2023 (83x83), papel de algodão e
 verniz Hahnemuehle (100% - 310gr),
Artglass AR70, em mold. de madeira.
Quadro e Poema (acrescido de dois 
versos na última estrofe) que 
integram a Exposição “Luz no Vale”,
aberta ao público no Museu
da Guarda até ao dia 7 de Abril.
RastodeLuz_2023

“Rasto de Luz”. JAS 2023 (83×83), papel de algodão e verniz Hahnemuehle (100% – 310gr), Artglass AR70, em mold. de madeira. 

POEMA – “OCASO”

CAMINHAVA SÓ
No Paredão
E sentei-me,
À tardinha,
A olhar
A solidão,
O oceano
E o sol
Lá ao fundo
A brilhar
Sobre a linha
Do horizonte,
Em tempo de
Baixa-mar.

O SOL CRIARA
Um caminho
De luz,
Mar afora,
A entrar
Pelos olhos
Dentro
Nessa já
Tardia hora.

E CONVIDAVA-ME
A segui-lo
Com o olhar
Em gesto
De despedida,
Era hora
De sol-posto,
Era hora
De partida.

A LUZ INTENSA
Do sol,
Longo rasto
Luminoso,
Incendiava
O olhar
De tão forte
Ser a luz
A refractar-se
No mar.

FIXEI
Esse caminho
E ouvi
Da sua água
Um suave
Marulhar,
Murmúrio
Terno
Das ondas,
Melodia
Luminosa
Criada
Pra embalar.

ERGUI DE NOVO
O olhar
Para o sol
Que s’esvaía,
Respirei
E voltei
A respirar
Uma intensa
Maresia.

RUA DE LUZ
Marinha
A levar-me
Ao horizonte
Por círculo
De fogo
Aceso
Em urgente
Despedida,
Ocaso
Que anuncia
Noites
Passadas
De sonho,
Estranhas
Formas
De vida.

ASSIM ME PARECE
Ter sido
A história breve
Que contigo
Eu vivi,
A mesma faixa
De luz,
O mesmo círculo
De fogo
Que o horizonte
Engoliu,
O serpenteio
De corpos
No luminoso
Caminho
Que a ti
Me conduziu...

ATÉ QUE O SOL
Se pôs
Pra regressar
De manhã,
Metáfora
Luminosa
Do nosso encontro
Fugaz
Já tão perdido
No tempo,
Esse tempo
Tão voraz.

E O SOL
Lá regressou,
Mas vinha
De outro lado,
Sem suave
Marulhar,
Sem ondas
Pra navegar
Nesse brilho
Ondulante
Que um dia
Me encantou
A lembrar-me
O teu mar,
Esse ondear
Cativante
De quem não sei
Se me amou.

RastodeLuz_2023Rec

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