CONFISSÕES IMPROVÁVEIS
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “La Peccatrice”, JAS 2023 Original de minha autoria Setembro de 2024

“La Peccatrice”, JAS 2023 – 57×88, papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemuehle, Artglass AR70, mold. madeira.
POEMA – “CONFISSÕES IMPROVÁVEIS”
RESISTO (Como se vê) Ao cansaço Indesejado De te recriar Aqui, No meu Jardim, Busca Incessante De palavras E de cores Que parece Não ter fim... ATÉ AS PALAVRAS Já nada querem Dizer, Braços caídos, A esvaecer... E cores Rasgadas A desbotar Em cenários De abraços Feridos Para esquecer. CANSAÇO, Melancolia, Também prazer, Recriar-te com Palavras Em poesia Pra não sofrer, Desejo vivo De sentir A pulsação Da tua alma E com ela Reviver. MAS DE NADA VALE Pedir sinais, Que os manejas Com mestria, Talvez sageza, Ao sabor De teus caprichos Venais, Mas de inabalável Dureza. TALVEZ ANDES Perdida Com futilidades Da vida, Sem conhecer O que digo, Tão alheia Aos meus desejos Que até me sabe A castigo. NÃO FOSSEM As cores Reconstruídas Do arco-íris Que tenho No meu jardim A pintar o rio Da tua vida E talvez eu Navegasse Pra outra foz, Talvez No meu cais De partida Te desse O derradeiro Adeus De despedida Do pouco Que ainda Resta de nós. SIM, MAS VERIA Sempre a tua Réplica, Veria sempre O cintilar Dos teus sinais... ............... E, então, Ponho-me A viajar Em fantasia, A criar imagens Com a luz filtrada Dos meus vitrais, A ver pleno Onde há vazio... ............. E, assim, eu Já nem sinto Na minha alma Aquele frio Dos teus silêncios Glaciais.
