“SYMPOSION” NA QUINTA DOS TERMOS
Por João de Almeida Santos

Imagem da minha intervenção sobre o “Symposion”, de Platão
ONTEM, 8 de Novembro, tive o gosto de participar numa interessante iniciativa da QUINTA DOS TERMOS (QT), em Carvalhal Formoso (Belmonte): um Jantar-Debate sobre O VINHO e sobre o “SYMPOSION”, de Platão.
1.
Numa interessante, e muito ilustrada, conferência sobre “Vinho é Civilização”, o Prof. Doutor Virgílio Loureiro, consultor da QT desde a sua fundação, propôs-nos uma viagem no tempo centrada sobretudo nos primórdios da cultura e da arte de fazer vinho, muitos séculos antes de Cristo, mas também sobre a cultura do vinho até aos nossos dias. Uma intervenção que ajudou a criar um belo enquadramento para a conferência que se seguiria, a meu cargo: O “SYMPOSION”, de Platão. Tive, então, oportunidade de discorrer sobre o “Symposion” (do séc. IV a.C), de certo modo o modelo destes jantares culturais que a QT passará a organizar no âmbito daquela que virá a ser a sua futura Academia, uma organização que passará a promover eventos que associarão a cultura ao vinho. De resto, a própria palavra Symposion, que nós traduzimos por Banquete, refere-se mais ao momento da bedida do que ao da comida: symposion é composto pela preposição syn (com) e pelo substantivo pósis, -eôs, que significa precisamente bebida (aqui, o vinho). Beber acompanhado era, pois, o significado da palavra que nós traduzimos por banquete. Houve também música, no início e no fim do jantar: piano e flauta, respectivamente por Inês Andrade e por Marina Camponês. Foi também apresentado um excelente novo vinho da QT, o “Lúcifer”.
2.
Sou um regular consumidor dos produtos da QT e amigo de longa data dos seus proprietários, Engenheiros João Carvalho e Lurdes Carvalho, e foi com muito gosto que, por ocasião do Banquete da QT, regressei à filosofia antiga e a esta belíssima obra de Platão, tão celebrada ao longo dos tempos, podendo partilhar algumas ideias sobre a filosofia, a arte e o amor aos longo dos séculos com os cerca de 60 convivas presentes, inspirado em Platão.
3.
O pretexto para a realização do famoso SYMPOSION, de Platão, foi a vitória do poeta grego Ágaton numa exigente competição entre tragédias, o género literário mais celebrado na Grécia antiga e que Nietzsche considera o modelo perfeito de arte, devido à perfeita harmonia entre o “espírito dionisíaco” e o “espírito apolíneo”, tendo-se reunido neste jantar-homenagem importantes personagens da cultura grega, como Sócrates, Aristófanes, Alcibíades, Fedro, Erixímaco, Pausânias e, naturalmente, o homenageado Ágaton. Todos eles falaram sobre o tema proposto. E o tema do debate foi, não o vinho, que, todavia, sempre acompanhava estes banquetes, mas o ELOGIO DO AMOR. Na minha intervenção, tive ocasião de evidenciar a influência que esta obra teve na cultura ocidental, em especial na arte, até aos nossos dias e a centralidade do tema AMOR na expressão artística, muito em particular na poesia e na pintura.
4.
Tratou-se, pois, de um excelente jantar, acompanhado de demonstrações de vinhos da QT – brancos e tintos das três quintas de onde provêm as uvas, Carvalhal Formoso, Castelo Branco e Pocinho. Por isso, os meus parabéns ao director-geral, o meu querido Amigo Pedro Carvalho. Serei, naturalmente, membro da futura Academia e terei ocasião de propor um Symposion sobre vinho e poesia. Afinal, Platão também era poeta.
