CONFISSÃO
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “Perfil de Musa” Original de minha autoria Novembro de 2024

“Perfil de Musa”. JAS 2023; 63×78, em papel de algodão (310gr) e verniz Hahnemuehle, Artglass AR70 em mold. de madeira
POEMA – “CONFISSÃO”
COMO SABES, E sabes como (Ou talvez não), Sou poeta E sou pintor Para pintar O teu rosto (Talvez em vão), Com os riscos E as cores Que persistem Na memória (Mas talvez aches Que não). QUANDO QUIS Pintar Teus olhos, Teus cabelos E essa boca Que nunca Ousei beijar Descobri Que não sabia Por onde dever Começar. TINHAM-SE Diluído Na memória Visual Os traços Desse teu rosto Fatal Que sempre Me encantou... ............ E como eram Teus olhos Nesse tempo Já passado Que há Tanto tempo Passou. MAS NÃO FAZ MAL (Disse pra mim Em segredo), Pinto-te como Ainda te vejo, Com a alma Incandescente, Cabelos negros E olhos Da mesma cor, Lábios vermelhos Que desafiam O beijo Que não ouso, Por pudor. MESMO ASSIM (Talvez por isso), Sinto Uma branca Neblina Que cai leve Sobre teu rosto E não o posso Pintar Com o rigor Que desejo, Pois só com A alma O vejo Para o poder Desenhar. AH, SIM, Com ela Há nitidez, Sinto-te Como te via E por isso Sei pintar-te Com rigor, Com palavras, Com poesia, Lá onde mora A dor.