TREME A TERRA, QUANDO PASSA
Poema de João de Almeida Santos. Ilustração: “Perfil de Mulher”, JAS 2022. Original de minha autoria (Colecção Privada). Dezembro de 2024

“Perfil de Mulher”, JAS 2022 – 94×114, impressão Giclée em papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemuehle, Artglass AR70, em mold. de madeira (Colecção privada)
POEMA – “TREME A TERRA, QUANDO PASSA”
SINTO UM CERCO Muito quente Que me envolve O corpo Quando ela passa Na rua, Mas o silêncio É frio, Não responde Ao chamamento Quando eu a desafio A mostrar-se Um pouco nua. TREME A TERRA Quando passa, Passos lentos, A olhar, Como alguém Que se perdeu... ........ E sofro Porque esvoaça Nesse céu Que não é meu. SILÊNCIO É a palavra E diz mais Do que parece, Eu vejo, Quando ela passa, Silhueta De mulher Que se esgueira Ao olhar De quem olha E não esquece, De quem sabe O que é amar. E MESMO QUE SE Esconda, Que finja Que não é ela E na multidão Se dilua, Quem sempre A vê Da janela Sempre a sente Um pouco sua. TREME A TERRA Quando passa, Mas não a sinto Perdida Pois se o cerco É sempre quente Quando passa Dá-me vida. NÃO É ACASO (Não é), Talvez seja O destino Ou desejo Desigual, Se a terra Treme Quando ela passa Não é efeito Banal Pois também eu Estremeço Ao seu primeiro Sinal. TREME A TERRA Quando passa, Estremeço Também eu, É a vida, Uma graça Que vem Lá de cima Do céu.
