O POETA, A PINTORA E O COLIBRI
Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “A Magnólia e o Colibri”
JAS 2023
(71x88, em papel de algodão,
310gr, Hahnemuehle, Artglass AR70
em mold. de madeira)
Janeiro de 2026

"A Magnólia e o Colibri" - JAS 2023
POEMA – “O POETA, A PINTORA E O COLIBRI”
QUANDO TE VEJO,
Vejo-te a cores,
Sinto perfumes
E provo sabores
Na fantasia
E vejo riscos
Bem desenhados
E tantas fugas
Prò infinito
Nos sete céus
Da tua magia.
AO LONGE,
O horizonte
Desses teus riscos
E aqui bem perto
Uma ponte
Que me leva
Ao pé de ti,
Mas se o rio
Lá transbordar
Sei que te alcanço
Com asas
De colibri.
QUANDO TE VEJO,
Eu vejo ruas
E vejo praças
E catedrais,
Eu vejo luz
Em refracção
Nos teus vitrais,
Uma penumbra
Que me convida
À reflexão...
.............
E nada mais.
VEJO O TEU ROSTO,
Vejo-te a ti,
Sentir-te perto
Era o desejo
Nesses poemas
Que escrevi,
Ver o teu céu,
Azul profundo,
Por onde voa
O colibri.
VEJO MONTANHAS
E vejo casas
Por esses vales
E vejo rios
Por onde correm
Os fios d’água
Com que tu regas
O meu jardim
Pra nele nascerem
Os meus poemas
E ter-te sempre
Perto de mim.
SINTO NO AR
O teu perfume,
Cabelos negros
A esvoaçar,
Eu sinto o vento
Que acaricia
Esse teu rosto
E as altas ondas
Do nosso mar
Mesmo que venhas
Só ao sol-posto
Com o teu barco
A navegar
Nessas águas
Tão cristalinas
Onde se perde
O meu olhar.
EU VEJO TELAS,
Os teus pincéis,
Doce pintora,
E vejo a tinta
Na tua mão,
Vejo-te a ti
Tão concentrada
Nesses desenhos
Em construção
Enquanto pintas
Um colibri
Com as razões
Do coração.
VEJO QUADROS
E vejo letras,
Nessa pintura
Vejo sinais
Para eu ler,
Vejo-te a ti
Neste pontão
Do nosso cais
E sou feliz
De assim te ver...
..............
Isso me basta,
Não quero mais,
Fica a saber.
EU VEJO TUDO,
Mas faz-me falta
Esse sorriso
Que sempre vi,
Nada mais quero
Como desejo
Pois é só disso
Que eu preciso:
Onde me leva
O colibri.
