Poesia-Pintura

O POETA E O SILÊNCIO

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Palavras Deslaçadas”
JAS 2026
Original de minha autoria
Janeiro de 2026
"Palavras Deslaçadas" - JAS 2026

POEMA – “O POETA E O SILÊNCIO”

O SILÊNCIO DO POETA
Compõe-se
Em poesia
Como canto
Em surdina
Do que não
Pode calar,
Do que sente
Mas só diz
Quando se põe
A cantar.

SUA FALA
É o eco
Do silêncio,
A fala da poesia,
Diz tudo
O que nela cabe
Em suave melodia,
Diz o que só
A alma ouve
Da poética
Sinfonia.

SEU SILÊNCIO
Ressoa
Nas palavras
Que ele diz,
É eco
Em forma
De poesia,
É no canto
Que ele sente
O que dizer
Não podia.

DIZ, POIS,
Sem o dizer,
É outra coisa
Que diz,
Sofre em silêncio
O poeta
Uma dor
Que lhe vem
Lá da raiz
E que o verso
Tempera
Sem que o torne
Feliz.

OUTRO SILÊNCIO
É o dela
Que nem lhe manda
Sinais,
“Não importa”,
Diz-lhe ele,
“Dentro de mim
Vives mais”.

O CANTO
Deste poeta
Do silêncio
É o selo,
Sua vida é
Sempre em verso,
Não é fria
Como gelo,
Seu canto
É em surdina,
Só o ouve
Quem o lê,
Mas com luz
Que ilumina
Aquilo que
Não se vê.

ASSIM O VATE
Persiste
Nesse sol
Que irradia
E se o silêncio
É gelo
Derrete-o
Com fantasia,
Pois se a vida
É de dor
Conjuga-se
Com o amor,
Mas diz-se
Em poesia.

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