A PALAVRA PROIBIDA
Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Desencontro”
JAS 2026
Original de minha autoria
Janeiro de 2026

"Desencontro" - JAS 2026
POEMA – “A PALAVRA PROIBIDA”
“L’amour est la poésie des sens”
Honoré de Balzac
NAQUELE DIA,
Os guardiões
Do sagrado templo
Emitiram edital:
“O amor em poesia
Fica assim proibido
Porque pode ser
Fatal,
Os versos
E as estrofes
Pintados
A luz e cor
Ficam pra sempre
Banidos
Da Arte
Sobre o Amor”.
“Assim manda
A moral”,
Diz, impante,
O provedor.
MAS PARA O AMIGO
Honoré,
Certeiro
Como poeta,
O amor
É poesia,
É a arte
Dos sentidos,
É perfume
Que inebria
E nos faz sentir
Perdidos
Se não houver
Guardião
Que decrete:
“São proibidos”.
PROIBIDOS?
Ah, esses, não,
Poesia
É emoção,
É enlevo
Dos sentidos
E resiste
Ao edital
Lançado
Aos quatro ventos
Por impenitente
Jogral.
TENTA, POIS,
O bom poeta
Levá-los
Aos píncaros
Da fantasia,
Sobem lá alto
Os sentidos
Com asas
De poesia.
OLHA O MAR,
Sente
As ondas
Dentro de si
A cantar
Como versos
Que o vento
Sopra
Quando se põe
A voar.
MAS É DIFÍCIL
Senti-los,
Ouvi-los
Com alegria
Quando há
Um guardião
Que até proíbe
Essa brisa
Que nos traz
A maresia.
POESIA
Dos sentidos?
O amor também
É isso,
Tem a força
De pulsão,
Tem o poder
De feitiço.
DECRETARAM
Edital?
Que importa isso
Ao poeta?
Seu canto
É liberdade,
É enlevo
Dos sentidos
E não há
Guardião
Que o pare
Mesmo que ele,
Impante,
Declare
Que os versos
São proibidos.
