NOSTALGIA
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “Nostalgia” JAS 2023 (76x88, em papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemuehle, Artglass AR70 em moldura de madeira) Original de minha autoria Fevereiro de 2026
POEMA – “NOSTALGIA”
RÁPIDA Como o vento, Passou por mim Essa palavra Saudade Com a forma De mulher Sob o céu De uma cidade E numa rua Qualquer. HÁ SEMPRE Esta saudade A que chamo Nostalgia, Sentimento Que perdura... ......... Como doce Melancolia. GRAVEI-A Na alma, Evoquei-a Ao crepúsculo Como incerta Nostalgia... ............... Não queima tanto, A palavra, Que é um pouco Mais fria. MAS DEI-LHE COR, Cantei-a Como pintura, Dei-lhe vida Num romance, Porque ela Me perdura. DA SUA COR Vejo o mundo, Com palavras A recrio, Procuro nela Um rosto Pra não me sentir Vazio. A DOR DESTA Saudade Sempre em forma De mulher Alimenta-me A alma, Interroga a minha Vida E por isso Vou vivendo Em constante Despedida, Neste cais Que não tem fim, Em partida Que não há, Um adeus Que não lhe digo, Porque ela Está sempre, Mas mesmo Sempre comigo. NÃO A TENHO, Está longe, Mas também Está aqui, Não a encontro Nem a vejo, Mas sei que não A perdi. INSPIRA-ME, A nostalgia Com a forma De mulher, Recrio-a em cada Instante, Sou poeta, Sou pintor Mas também Sou amante Da mulher Que eu quiser. VEJO O MUNDO Com alegria Mesmo que sofra De dor... ........... Mas de dor Em catarsia. ESCULPO O seu rosto Com palavras, Pinto-lhe a alma, Escolhendo bem A cor, Voo com ela Em sonho Onde já não sinto Dor. LEVO COMIGO Pincéis, Levo asas De poeta, Pinto-a Num quadro Ideal Com as cores Com que a vejo Neste lugar Do desejo, Nesta esfera De cristal. SAUDADE Ou nostalgia Sempre em forma De mulher Invocada Cada dia Quando a dor Se converteu Em doce Melancolia.

