CAMÉLIA EM SOLIDÃO
Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Ponte de Cores”
JAS 2026
Original de minha autoria
Fevereiro de 2026
POEMA – “CAMÉLIA EM SOLIDÃO”
CAMINHAS Tão docemente, Tão irreal, Sobre as cores Que eu te dei Que já nem sei Se és flor Ou és vestal Do oráculo Que criei. ÉS PLANTA DE JARDIM (Bem sei), Na alma Tens as flores Que eu sempre Cultivei, Alimento Dos meus olhos, Aroma Dos poemas Que te dei. CAMÉLIA É o teu nome, Encontrei-te, Desta vez, Em profunda Solidão, A alvura luminosa Era tão densa Que até podia Guardá-la Na palma Da minha mão. QUIS TRAZER-TE Para dentro do poema, Disseste Logo que sim. Ficarias Mais feliz, Estando junto De mim. CAMINHÁMOS Numa ponte Prà outra margem Da vida, Eram passos De liberdade, Não eram De despedida. VI EM TI Uma mulher, Recriei-te Com afeição, Pintei-te Em movimento, Quis-te livre No meu chão. É ESTRANHO O movimento Que não te afasta De mim, Tu vives Em quietude Porque te ofereces Assim. ESSA PONTE De papel Que parece um Arco-íris Saído do meu Pincel Vai devolver-te Ao jardim Onde a cor É alimento, É como favo De mel Que da alma É sustento. VÊS Como a solidão Em flor Pode ser libertação Se lhe dermos Muita cor Com a força da Paixão?

