A TUA VOZ
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “La Cortigiana” JAS 2026 Original de minha autoria Março de 2026
“En las cristaleras de nuestro salón de actos hay dos conceptos: poesía y elocuencia”. Santiago Muñoz Machado (1949)
POEMA – “A TUA VOZ”
OUVI-TE, HOJE Ao longe, Na memória, Sons antigos, Quentes, Iluminados Dentro de mim À medida Da fantasia, Como se o desejo Fosse tudo, Mesmo aquilo Que ter Já não podia. NÃO SABIA Que me aquecia Tanto a alma Ouvir tão nítida A tua voz, Tão serena E tão calma, Como quando Estávamos sós. DEPOIS CHEGARAM As palavras E essa voz Soou Cá muito dentro De mim, Como harpa Afinada Por melodia Sem fim. E QUANTO MAIS Bailávamos A valsa lenta Das palavras, Mais eu te sentia Como perfume Sonoro Na pauta Do nosso canto, Som e eco De um coro, A razão do meu Encanto. QUASE SENTIA O calor Desse teu corpo Que tantas vezes Desejei Como abraço Escondido Que para nós Inventei. SEMPRE HOUVE A barreira Do tempo E um muro No espaço, Eu bem sei, Mas ensaiámos Muitos passos No palco Íntimo Onde sempre Contigo dancei. OUVI-TE, HOJE, Eu ouvi, Ao longe, Quando já te Julgava Perdida, Mas depois O que senti Foi que não era, Uma vez mais, A derradeira Despedida...
