MARÇO
Poema de João de Almeida Santos Pintura: “Evocação de uma Magnólia” JAS 2021 (98x126, em papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemuehle, Artglass AR70, em mold. de madeira) Original de minha autoria Março de 2026
"MARÇO: um pouco chove e logo deixa de chover: volta a chover, pára, ri o sol com a água. Ora um céu celeste, ora um ar escuro e negro: ora tempestades d’inverno, ora um ar de primavera. Um pássaro com frio espera que o sol espreite: na terra ensopada suspiram as violetas... Catarina! Que queres mais? Entende-me, meu amor! Março, sabes, és tu, e este pássaro sou eu" “Arietta” (1898) do poeta napolitano Salvatore di Giacomo, (1860-1934).
POEMA – “MARÇO”
EU GOSTO DO MÊS De Março (A Primavera a chegar), Gosto do frio Que sobra (O Inverno A declinar) E da neve Que me chama Quando a vejo Lá no alto, Lá no topo Da montanha. EU GOSTO MUITO De Março Porque traz A Primavera E a magnólia Que é branca, Que acena Ao passado E ao tempo Que aí vem, Auspicioso Futuro, Sempre muito Desejado, Saído Da Terra-Mãe. E ASSOMAM As flores E os cheiros No jardim E renasce A natureza Quando volta Proserpina E fico Sempre feliz De ver O loureiro Crescer, Apontando Para o céu Como quem O ilumina. TAMBÉM VOLTA A cameleira, Anúncio Do tempo novo Com o branco Cintilante Que me fascina O olhar E anuncia A magnólia Que chega Sempre Despida E me convida A cantar. AH, COMO EU GOSTO De Março, Mês híbrido, Mês meu, Intervalo Auspicioso Do veloz Tempo Que passa, Ponte Que atravesso Quando espero, Confiante, Que a natureza Renasça. AH, SIM, Mas eu sou Pássaro Friorento, Sempre, sempre A suspirar, Quando o sol À minha alma Sempre insiste Em tardar... MAS MARÇO É ponte, É transição, É esperança, É passado E futuro E há sempre Uma mulher (Sentimento Do mais puro) Por quem o poeta Espera Às portas Do seu desejo, Às portas Da Primavera.

