Poesia-Pintura

O POETA E A MUSA

Poema de João de Almeida Santos
no Dia Mundial da Poesia
Ilustração: “Musa”
JAS 2025
Original de minha autoria
21 de Março de 2026

“MUSA” – JAS 2025

POEMA – “O POETA E A MUSA”

O POETA PERGUNTOU
À musa:
- Mas se o amor
É mistério
(Como dizes),
É viagem
Em alto mar,
Se há sempre
Tempestades
E risco de naufragar,
Por onde andas tu,
Ó musa,
Que o poeta,
Vagando
Nas “imperiosas
Ondas”
Do teu mar,
Te procura
Pra uma vez mais
Te cantar?

- NO MEU LONGO
Vaguear
Por roteiros
De poeta
(É essa a minha
Missão)
Sempre ouço
O seu cantar
Nesse inútil afã
(Qual piedosa
Ilusão)
De me querer
Encontrar.

- MAS QUE DESTINO
É o teu,
Ó musa
Do alto mar?
Não proteges
O meu barco
Neste infindo
Navegar?

- EU DEIXO A VIDA
Correr
(Já uma vez
Eu to disse),
Mas sou fonte
D’inspiração,
Assim cumpro
O meu destino,
O que os deuses
Me marcaram
Em decreto
Que é divino
E regra da tua
Canção.

- PALAVRAS
Leva-as o vento,
Ó musa
Dos meus pecados,
E o vento
Sopra no barco
Que me leva
Ao alto mar
Onde componho
O meu canto
E me sinto
A naufragar.

- INSPIRA-TE
No meu silêncio,
No sussurro
Inaudível
Da minha velada
Voz
Se te encontrares
À deriva
Nas águas revoltas
Do mar
Sem bússola
Nem inventiva
Na arte
De navegar.

- E É ESSA
A salvação?
Em teu silêncio
Renasce
A minha verdade,
A que ouves
Nas palavras
Que devolvem
O teu eco
Com sabor
A eternidade?

MAS “EU,
Uma reminiscência
Da terra”,
Naufrago
Sempre em ti,
Nesse mar do teu
Silêncio
Onde navego à deriva
No meu “barco
Solitário”
Que de palavras
É feito,
As tábuas
Do meu calvário...

AH, SIM,
Mas o barco
É movido
Com os remos
Da fantasia
Que me resgatam
Lá do fundo
Do teu mar
Quando me ponho
A cantar
E encho todo
O meu peito
Com a tua maresia
Para assim
Me salvar
Dos perigos
Da entropia.

 

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