Poesia-Pintura

CATEDRAL

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “A Fonte dos Quatro Rios”
na Praça Navona, em Roma
JAS 2026
Original de minha autoria.
Março de 2026

“A Fonte dos Quatro Rios” – JAS 2026

POEMA – “CATEDRAL”

VIAJÁMOS NO TEMPO
Até à cidade
Eterna,
Onde eu te conheci,
Nada mudara
Nesse rosto
Tão sereno
E inocente
De quem
Sempre
Me sorri.

DEPOIS FOMOS
À rua
Da minha vida,
À cúpula
Da catedral,
Mas não te abracei
Nessa noite,
Era sagrado
O lugar,
Seria abraço
Fatal.

MAS FICOU-ME
Impresso
O prazer
De te ter ali
 A meu lado,
A sonhar,
Nesse meu leito,
O beijo
Que não trocámos
Numa noite
De luar
Quando o amor
É mais quente
E o corpo
Se desnuda
Por tanto a alma
Brilhar.

FOMOS À PRAÇA
Navona
Logo pela manhã,
Fruímos
O murmúrio
Da fonte
Dos quatro rios,
A inspiração
Do Bernini,
Íntimos,
Em sintonia,
Antevendo um futuro
Que já nunca
Chegaria…

ATÉ QUE ME
Procuraste
Nessa fita
Da memória,
A noite vivida
Na cúpula
Da catedral,
Corpos tensos,
Sem palavras,
Na fronteira
De um afecto
Que não seria
Fatal.

TORNOU-SE
Mais vivo ainda
O que não aconteceu
Como se fosse
Um futuro
Que desse tempo
Passado
Afinal não se
Perdeu.

E CÁ ESTOU EU
De novo
À procura
Dessa noite,
Do beijo
Que não te dei,
Quando o passado
Ressurge
E do tempo
Da catedral
Já nem sei
O que farei.

TALVEZ FAÇA
Um poema
Pra de novo
Te encontrar,
Cantar esse
Sorriso belo
De que sempre
Eu gostei,
Voar no tempo
Em espaço sideral
E em noite de luar
Pousar de novo
Contigo
Na cúpula
Da catedral...

 

Deixe um comentário