PALHAÇO
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “Máscara” JAS 2026 Original de minha autoria Março de 2026
POEMA: “PALHAÇO”
COMPREI Uma máscara, Pu-la no rosto Do meu amado poeta E ele Não a enjeitou. Ainda por cima Me disse: “Sou eu, sou... .................. Como nas palavras Que digo Também meu rosto Mudou". "NÃO ESPERAVAS Ver-me assim, Vá, confessa O teu espanto, Luzinhas Na minha cabeça, Rosto tão Desfigurado, Cor, tanta cor, A que apeteça Pra sufocar Esta dor Sempre que ela Apareça A pedir o meu Cuidado". "ADOPTEI Esta figura, Apresento-me assim, As outras Nada te dizem, Com esta Olhas pra mim." "PALHAÇO É o que sou, Falo a Surdos e mudos Que não ouvem O que digo Nem me dizem O que quero Como se fosse Mendigo Do que, afinal, Nem espero". "VALHA-ME, POIS, Esta máscara, Assim rio Desta vida, Rio de ti E de mim, Da chegada E da partida, Dos abraços, Das palavras... ............ E também da Despedida." "SOU PALHAÇO, É o que sou, Entretenho-me A cantar E se ouvires Este meu canto Palhaço É o autor, Não t’importes Nem o chores, Pois o que diz No poema É pra espantar Sua dor” A MÁSCARA É o seu rosto, Colou-se-lhe Logo à pele Com a cola Do desgosto E por isso Já nem sabe Se este rosto É o dele. COMPREI UMA Máscara Luminosa No mercado Da minha vida, Ponho-lha sempre Que posso, À chegada E à partida. NÃO LHA TIRES Que rasgas A sua alma Pois se o canto O liberta É a máscara Que o salva.

