JANELA EM RUÍNAS
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “História de uma Janela” JAS 2026 Original de minha autoria Julho de 2026
POEMA – “JANELA EM RUÍNAS”
DESTA JANELA Eu não te vejo, Há destroços, Uma mulher Que espreita E eu não sei Quem é Nem pra onde vai... MAS DELA, Desta janela, Vejo uma rua Que mais parece Um rio (Já nem sei), Um traçado Sinuoso, Marcas (Invisíveis) De passos Remotos Gravados na água, Imagens De um passado Que nunca passou, Onde há marcas De algo Que o vento Destroçou. É OUTRA JANELA, Não é a tua Nem a dela, A daquela silhueta Fascinante Que passava Na minha rua, Ambas abertas De par em par Sobre a minha vida, Inconstante Como a tua. É OUTRA Janela De onde nunca Verei O teu rosto, Porque dela, A nascente, Entre destroços A despontar, Chega uma luz Incandescente Que quase Me cega De tanto Ela brilhar. É A INTENSA Luz do dia Que me convida A viver, A cantar E a dançar A valsa Da fantasia... ............. A dança Do meu olhar. ENTENDES? O mundo, Quando acorda, A nascente, Ou entardece, A poente, Muda de luz E de cor, Mas eu, A ti, Meu amor, Via-te sempre A sul, Entre a madrugada E o entardecer, No céu azul Dessa janela Onde gostava De me perder Quando eu Te via nela. CANTAVA-TE Sempre Cá de baixo, Deste meu lado Da rua Com a alma Cheia, Mas nua, Para me poder Vestir de ti, Mas nunca tive Uma escada Para te alcançar E por isso Te perdi. AGORA Há camélias, Por aqui, Um canteiro Luminoso E um loureiro, Uma escada Para ver Mais longe, Há um recanto, Um caminho, Há muita cor E palavras Onde brilham Sentimentos E me libertam Da dor. MAS DESTA JANELA Eu não te vejo Passar... ....... Bem sei Que há sempre Outra janela, Mas por mais Que me debruce Nela Já não te posso Alcançar.
