MISTÉRIO
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “Perfil de Musa” Jas 2023(-2026) (63x78, em papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemühle, Artglass AR70, em mold. de madeira) Original de minha autoria Agosto de 2026
POEMA – “MISTÉRIO”
SEMPRE QUE ESCREVO Um poema O meu Amigo Da Guarda Nunca tarda A comentar: “Abusas da musa, Poeta, Não a deixas Repousar”. “ABUSAS, SIM”, Insiste ele, Em tom grave E muito sério, “É liturgia, Refrigério De quem está À janela A ver passar O mistério Que vive lá Dentro dela”. E EU SEMPRE Lhe respondo Que sim, Que para mim É liturgia, Porque ela Passa sempre, Cada dia, Na minha rua Em seu Apressado Andar E eu ponho-me À janela Para ver o perfil Dela Quando está A passar. MAS A JANELA, Oh, a janela, (Isso, o meu Amigo Não vê?) É sempre a do olhar Que é a porta Da alma (E ele sabe Bem porquê), Aquela que sempre Me salva Porque nela posso Entrar. VEJO O MISTÉRIO Passar (Pois vejo), Mas é lá, Dentro de mim, Quando me passa Na memória Um filme Que não tem fim. É AÍ QUE VEJO A musa E é aí Que me recusa. OH, MAS EU FALO Sempre Com ela, Como se estivesse À janela A vê-la na rua Passar... ....... É assim Que abuso dela, A olhar Dessa janela, Mas sem sequer A chamar? “COMO SE CHAMA A musa?”, Pergunta O meu Amigo, Que gosta De ver-me Cantar E que pensa Que é castigo Vê-la sempre Da janela Na minha rua Passar... AH, EU NÃO SEI Que nome usa, Mas que tem nome, Ela tem, Não me lembro Do nome dela, Nem a chamo Da janela, Mas se a chamar... ............ Ela não vem. Por isso, Não abuso dela, É jogo de fantasia De quem musa Já não tem.


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