DUAS HORAS
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “Epifania” JAS 2023 (79x82, em papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemühle, Artglass AR70, em mold. de madeira) Outubro de 2026
POEMA – “DUAS HORAS”
OLHEI-TE NOS OLHOS, Eram intensos E tão belos, Toquei teus cabelos Com o olhar, Caminhei a teu lado Nesse jardim, Senti o teu corpo Tão perto de mim A respirar O acre perfume Da verde Ramagem Do vasto jasmim. Inebriou-me Esse intenso Aroma E eu enredei-te Em tão doce Enleio Que até parecia Já não ter fim. BRILHARAM, Tão docemente, Duas horas inteiras Esses belos olhos... ................... E neles me perdi... ESTIVE NO CÉU Ao lado de Deus E lá vi dois sóis Que não eram dele (Uma luz intensa) Porque eram teus. MAS O TEMPO Correu depressa Demais... E é sempre assim, Todos os dias Se tornam iguais Quando tu partes E, em nostalgia, Eu fico no cais… VOLTEI A OLHAR-TE Três horas seguidas, Parecia verdade, Mas era ilusão, Porque logo partiste, Deixando-me só... ................. E o que me sobrou Foi a solidão. SUBIU A TRISTEZA, A saudade irrompeu Colou-se-me Ao rosto... ............. E como doeu! SE EU NÃO TE VEJO Sinto falta de ti, Mas se te encontro Logo te perco Porque o tempo Voa E logo te leva Pra longe dali. TER-TE DEMAIS Aumenta a saudade E quando te vais São negras As nuvens Da nossa cidade. MAS AINDA QUE TRISTE Eu sou feliz E com estas mãos Te vou escrevendo O que quero dizer... .................. Mas este meu tempo Volta a correr E cresce a vontade De logo te ver Mesmo que saiba Que é nesse instante Que te vou perder… TENHO SAUDADES, Saudades de ti, Desse virar Da nossa esquina, Na mesma rua Onde te vi, Dessa janela Donde espreitamos O que do mundo Sobra pra nós. EU JÁ NEM SEI Que hei-de fazer, Ter-te demais É puro prazer, Mas quando te vais Fico pra morrer... NEM SEI QUE Te diga, Ah, meu amor, Quando me deixas Já nem sinto dor Tão grande a tristeza De já não te ter Pois tu partiste Mesmo sem querer. OLHEI-TE NOS OLHOS, Nesse entardecer...

