Poesia-Pintura

MUSA

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Desejo”.
Original de minha autoria
para este poema.
Abril de 2021.
Desejo11_04.21psd

“Desejo”. Jas. 04-2021.

POEMA – “MUSA”

EU TENHO UMA MUSA
Guardada
No fundo
Da minha memória,
Perdi-lhe o rasto
Ao corpo,
Ficou-me dela
O mistério
Que me alimenta
O estro
Quando a saudade
Me assola.

SOBROU-ME
Recordação,
Marcas cá
Dentro de mim,
Desço ao fundo
Da alma
Mas nunca
Lhe vejo
O fim.

E ASSIM NÃO A
VISLUMBRO,
Há uma certa
Escuridão,
Olhar de nada
Me serve,
Restam-me
As cicatrizes
E uma funda
Solidão.

ÀS VEZES DESENHO-LHE
O corpo,
Ponho-lhe cores
Muito vivas,
Pinto a alma
Com palavras,
Dou-lhe nome
Que não é seu,
Levo-a nos meus
Poemas,
Devolvo tudo
O que resta
Do que ela
Não me deu.

VALE-ME A POESIA
Pra onde fujo
Com ela,
É como as ondas
Do mar
Que vejo
Da minha janela.

TENHO UMA MUSA
Nesse mar
Que não tem fim,
Revolvo-me
Nas suas ondas,
Regresso depois
Ao poema
Onde sorri
Para mim.

NÃO IMPORTA
Onde está,
Musa é fonte
De inspiração
Desde que a tenha
Na alma
Esse lugar
De paixão.
Desejo11_04.21psdRec

“Desejo”. Detalhe.

2 thoughts on “Poesia-Pintura

  1. Transcrevo aqui, com o meu obrigado, o comentário do meu Amigo e conterrâneo Tó Zé Dias de Almeida:
    “Trata bem a tua musa que musas como essa são raridades preciosas! E, além disso, se com ela fores para bom abrigo, foge e esconde-te aí, aí, onde abrigo melhor não irás encontrar… Sim, porque a Poesia a todos os que a amam sabe acolhê-los e desejar-lhes inimagináveis desígnios de íntima felicidade poética. Só a sente quem das musas é amigo e é capaz de se aventurar mar adentro em busca insistente da beleza essencial que lhe é devida. Vai poeta e que as musas, quais nereides camonianas, te acompanhem e te iluminem! Boa viagem e para ti, João, boa noite e bons sonhos poéticos e pictóricos. Um abraço”.

  2. Sim, que melhor do que um tratamento poético em sinestesia? E, sim, eu tenho um abrigo especial no meu Jardim Encantado. A minha Ilha dos Amores, onde posso saciar a pulsão poética, embriagado com os poderosos aromas que jorram da natureza, na Primavera. Erato vive lá, em forma de arbusto e posso poetar à sombra do seu vasto folhame. Depois, as cores, a pureza das cores das magnólias, das cameleiras, dos rododendros, dos amores perfeitos, das rosas, das peóneas, sei lá, um intenso desafio a fixar em tela figuras coloridas que o meu olhar capta nos seus perfis. Íntima felicidade poética, sim, pois a poesia é fortemente performativa, consegue quase substituir-se ao real, construindo-lhe uma alternativa estética quase pulsional. Sonhar de olhos abertos e com a fantasia em ebulição. Obrigado pelas tuas belíssimas palavras, Tó Zé. Um abraço daqueles antigos.

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