Poesia-Pintura

SILÊNCIO

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “O Som do Silêncio”.
Original de minha autoria.
Novembro de 2021.
Jas. OSomDoSilêncio2021

“O Som do Silêncio”. Jas. 11-2021

POEMA – “SILÊNCIO”

OUÇO O SILÊNCIO
Que me cerca,
Adentro-me
Na multidão
E ele cresce
Por dentro,
Na alma
Me cresce
E, quase, quase,
Como grito
Sufocado...
..............
Me ensurdece.

AH, É DEMAIS,
Este silêncio,
Caustica-me
A pele
Macia da
Memória,
Uma moinha
Na alma,
Silvo
De vento
Cortante
Nas janelas
Destroçadas
Da emoção.

E EU FUJO
Para o ermo,
Lá em cima,
Na montanha,
Solidão de
Eremita
Que procura
A melodia
Do nome
Silenciado,
Aquele que nunca
Ousaste
Pronunciar,
Palavra em degredo
Que só o poema
Pode resgatar.

MAS, LÁ NO ALTO
(É sempre assim),
Ouço uma harpa
Dedilhada
Por ti,
Notas musicais,
E vejo riscos
Esvoaçando
No teu azul
De Lisboa
Em direcção
Ao infinito...

VEJO-TE SAIR
Da neblina
Cintilante
Do rio
Que te veste
E sacio-me de
Palavras
Até que a inspiração
Chegue
E as componha
Em poema
Que te cante
E que te conte
Às nuvens
E ao vento
Que passa...

NOMEIO-TE
E sussurro
Uma pequena
Palavra
Que nunca ousei
Pronunciar,
Mas que ouviste
Ressoar-te
Na alma
Mil vezes,
Em mil poemas
Sufocados...

O SILÊNCIO
É a tua fala
(Bem sei),
Mas eu não sairei
Deste poema
E do ermo reparador
Até que me ouças
E soletres
Finalmente
Esse nome
Com as cores
Da tua fantasia...

FICO PRISIONEIRO
De um poema
Em construção,
Resgate
Desse nome
Perdido
Na ilha remota
Da tua memória,
Como âncora firme
Da minha própria
Salvação.

Jas. OSomDoSilêncio2021Reco

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