Artigo

A POLÍTICA DO PS EM TRÊS ACTOS.

Onze Teses 
Que não são sobre Feuerbach

Por João de Almeida Santos

Jas. OSomDoSilêncio2021Reco

“Neblina”. Jas. 11-2021

I.

EM 2015, António Costa, que tinha perdido as eleições, fez um acordo escrito com o PCP e o Bloco de Esquerda para formar uma maioria parlamentar que tornasse possível um governo do PS, mandando o PSD e o CDS para a oposição. Se não o fizesse, António Costa estaria politicamente condenado, tendo perdido as eleições, apesar de 4 anos de forte austeridade imposta pelo governo de Passos Coelho. Diriam: nem poucochinho conseguiu ter. Deve sair.

II.

FOI SAUDADA A CORAGEM de ter acabado com o “Muro de Berlim” em Portugal e muitos, incluído-me eu neles, foram os que disseram que os dois partidos, BE e PCP, deveriam integrar o governo. Assim não foi, mas tivemos quatro anos de governo PS.

III.

NAS ELEIÇÕES DE 2019, o PS ganha as eleições por maioria relativa, com 36,34% dos votos, mas já não faz acordos escritos, tendo, depois, conseguido aprovar OE de 2021 com os votos do PCP, mas com os votos do BE contra. Desta vez, todavia, o OE para 2022 já não foi aprovado, tendo sido rejeitado à direita e à esquerda e dando lugar a eleições antecipadas.

IV.

O PS ANUNCIA AGORA que se ganhar as eleições de 2022 não fará acordos para viabilização do governo nem privilegiará acordos à esquerda, governando com acordos pontuais e reeditando as soluções Guterres, ou seja, o PS regressa ao ponto de partida, voltando, depois de o ter derrubado, a levantar meio Muro de Berlim, ou seja, a fazer como sempre fez: prosseguir o seu caminho sozinho, deixando à direita a oportunidade, essa sim, de fazer acordos entre si. Como sempre fez, sim, mas agora com essa nova experiência fracassada a fazer parte do passivo, embora não do seu ADN, que não se esgota nem pode esgotar em António Costa. Em 1981, em pleno bipolarismo e guerra fria, François Mitterrand governou com quatro ministros do PCF.

V.

É CLARO QUE ANTÓNIO COSTA já não precisa de sobreviver politicamente porque já sobreviveu, tendo mesmo anunciado que se perder as eleições, como aconteceu em 2015, deixará a liderança do PS. Passaram seis anos e durante esse tempo foi Primeiro-Ministro. Um lapso de tempo que parece estar marcado pelo destino.

VI.

TUDO CLARINHO COMO A ÁGUA. António Costa regressa agora ao mesmo caminho de sempre do PS, mas com esse passivo nas contas políticas da sua gestão.

VII.

SIM, MAS HÁ ALGO que é necessário dizer: se o BE e o PCP tivessem integrado os governos de António Costa não só não estaríamos agora confrontados com eleições antecipadas como provavelmente acabariam por moderar as suas posições, como sempre acontece a quem se vê confrontado com a concreta gestão dos complexos dossiers governativos. Essa experiência, que nem sequer é original, não foi feita porque na verdade o muro nunca foi totalmente derrubado na cabeça de António Costa. O que estava realmente em causa era o seu uso instrumental por razões de pura sobrevivência política.

VIII.

OS ELEITORES ESTÃO AGORA ESCLARECIDOS sobre o que devem fazer quando se deslocarem às urnas de voto: ou dar maioria absoluta ao PS ou votar no bloco de direita para promoverem soluções governativas. Por seu lado, os que têm uma orientação de protesto e se guiam sobretudo pela ética da convicção devem então votar no Bloco ou no PCP, o que, claro, não ajudará à obtenção de uma maioria absoluta pelo PS.

IX.

ESTA QUESTÃO NÃO SE PORIA se o sistema eleitoral fosse proporcional com prémio de maioria ou maioritário uninominal.

X.

FINALMENTE, António Costa sentir-se-á agora mais livre para ser ele próprio e as suas circunstâncias pessoais, para além da lógica da sobrevivência política ou do gosto pelo virtuosismo táctico.

XI.

SERÁ ESTA SITUAÇÃO BOA PARA O PS? Sinceramente não sei. Mas acho que não porque sendo a maioria absoluta extremamente difícil o resultado será: ou um governo de direita ou, de novo, eleições a curto prazo. #jas@11-2021.

Jas. OSomDoSilêncio2021Reco

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