Poesia-Pintura

CONFISSÃO

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Fascínio”
JAS 2023
(68x88, em papel de algodão, 310gr, 
e verniz Hahnemühle, Artglass AR70, 
em mold. de madeira)
Original de minha autoria
Maio de 2026

“Fascínio” – JAS2023

POEMA – “CONFISSÃO”

QUE ME DIZES,
Tão frontal,
Olhar fixo,
Penetrante?
É chamamento,
Sinal,
Com brilho
De diamante,
Fascinante
E fatal?

SÃO TÃO BELOS
Esses olhos,
Sabem-me sempre
A mar,
São ondas
Do teu encanto
Como cristais
A brilhar.

NÃO É AZUL
Sua cor
Mas de sol
Que ilumina,
Olhas pra mim
Com ternura
Quando navego
À bolina.

ÉS SEREIA,
Vou-te ouvindo
Em sinfonia
De cor,
Melodia
Que me aquece
Como fonte
De calor.

SOPRA ARAGEM
Sobre ti,
Um suave
Respirar,
E eu tão
Longe daí,
Tão longe
Desse teu mar.

QUE PROCURAM
Os teus olhos?
Teus lábios
Balbuciam
Palavras
Que me resistem
Quando nelas
Eu pressinto
O que nunca
Me diriam,
Mas são sinais
Que persistem
E que outros
Não veriam.

SE DISSERES
Que não me
Sentes
Ou que do poema
A sua musa 
Não és,
De saudades
Esmoreço
Se não te vejo
Quando chegam
As marés.

OLHOS
Húmidos
Que fascinam,
Essa boca
Que seduz,
Teus cabelos
Iluminam
E eu,
Poeta d’outono,
Na mais pura
Contraluz.

OLHAS-ME, POIS,
Inquieta,
Sem estar
À tua frente,
Numa dorida
Distância
Que no silêncio
Se sente,
Mas por isso
Eu te digo
Que o teu olhar
Não me mente...

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