Poesia-Pintura

DESENCONTRO

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Epifania”
JAS 2023
(79x82, papel de algodão, 310gr,
e verniz Hahnemühle, Artglass AR70)
Original de minha autoria
Maio de 2026

“Epifania” – JAS2023

POEMA – “DESENCONTRO”

ESTOU SEMPRE
A partir

De um lugar
Onde não estou,
Por isso não sei
O que te dizer
Ou então segrede
Para onde vou...

E PORQUE NÃO SEI
Onde agora estou
Também não sei
Para onde vou...

E TU FOSTE
Pra onde,
Que eu não te vejo?
Estou de rosto
Triste
De já te não ver,
É o desencontro
Da rua perdida,
Antes de chegares,
Já ‘stás
De partida...
..................
Não sei que dizer.

EU NÃO TENHO TEMPO
E nem há lugar
Para onde ir,
Mas também não sei
Como cá ficar
Ou se vou partir.
Tu foste
Pra onde?
................
Volto a repetir.

EU NÃO SEI
Onde tu estás
Mas de te sonhar
Até sou capaz...

MAS JÁ PERDI

Teu rosto
E a silhueta,

Só há neblina
Neste sonho meu,
É fumo espesso
Pra cá da cortina
Deste vão teatro
Que a vida me deu
E a que a tristeza

Sempre me destina.

 ATÉ TE SONHAR
Se tornou difícil
Porque já perdi
O intenso brilho
Desse teu olhar
Por onde entrava
A luz
Dos meus olhos

Pra te seduzir,
Pra te conquistar.

NÃO SEI
Onde estás

Nem posso
Chamar,

Dizer o teu nome
Com delicadeza
Para o soletrar
Como quem
Te chama
Só com o olhar.

PARTISTE DE VEZ
Pra outro lugar
Que não sei dizer
Nem sei desenhar,
Fogem-me

As palavras,
Tenteia-me a rima,
Procuro cantar
Mas já não consigo,
Perdi o teu rasto
E o teu abrigo.

NEM SEI
Se me ouves

Lá onde

Te encontras

Em busca

Dos sonhos

Que te desenhaste
A tinta-da-china
Onde te encontrei
Quando eu cantava
Com a melhor rima.

TU FOSTE PRA ONDE?
Fugiste de mim,
Na maré revolta
Dessas altas ondas
Que dão vida
Ao mar
Onde tu t’espraias
Cada amanhecer
Sem nunca parar
Em todos os dias
Desse teu viver.

TU FOSTE PRA ONDE
Na hora sombria
De um entardecer?
Para uma ilha
Perdida no mar
Onde eu não chego
Nem com o olhar?
...................
Mas talvez lá chegue
Se com as palavras
Te puder sonhar...

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