OLÁ!
Poema de João de Almeida Santos Ilustração: “La Peccatrice” JAS 2023 (57x88, papel de algodão, 310gr, e verniz Hahnemühle, Artglass AR70, inspirada num esboço de Klimt, apud Zwei Studien einer jungen Frau, de 1885) Junho de 2026
POEMA – “OLÁ!
PEDI-TE UM DIA, Num poema Que te fiz, Que me desses Um olá, Sussurrasses O meu nome Pra ouvir a tua Voz, Assim, Como o murmúrio Das águas Do rio Quando beijam As águas salgadas Da foz. E O OLÁ Aconteceu, Mas foi rápido Como o vento Que sopra Na minha alma Quando cruzo O teu olhar E me sinto Estremecer, Não por fora, Mas cá dentro, Onde gosto De te ver. BALBUCIEI O teu nome Já distante Desse “olá”, Sem saber O que fazer, Se chamar-te, Se sorrir Ou prosseguir O caminho Como quem te Viu partir. MAS QUANDO VIREI O meu rosto Vi-te de novo Austera, Muito fria E distante... ......... Ignoravas O passado Que passara Nesse instante. E, DEPOIS, Tantos “olás” Que pedi, Tantas vezes Te chamei, Os poemas Qu’escrevi Sobre o pouco Que ainda Me sobra De ti, Sobre o pouco Que ainda sei. TALVEZ O VENTO Te chame As palavras Te seduzam, As raízes te Comovam Ou um perfume Te inebrie Quando o poema Disser Que nunca É tarde Demais E que em seu Eco Te encontre, Mesmo que seja Em simples Ou diferidos Sinais.

