Poesia-Pintura

DISSONÂNCIA

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Musa”
JAS 2026
Original de minha autoria
Junho de 2026

“MUSA” – JAS2026

POEMA – “DISSONÂNCIA”

JÁ GASTEI
Quase
Todos os poemas,
Cantando
O que não ousas
Ouvir,
Gastaram-se
As palavras
E eu
 Fiquei mais
Pobre de ti,
Incapaz
De te sorrir,
Como quem
Já só fica
Por aqui,
Como quem
Já não consegue
Partir.

EU JÁ NEM SEI
Se é silêncio,
 Ou não,
Se são notas
Dissonantes,
O trítono
Em tensão
Sobre a minha
Harmonia,
Aquela que eu
Vou compondo
Nos dias
Quentes
Da fadada
Liturgia.

MAS NEM PALAVRAS,
Nem cores,
Nem notas
Desenhadas
Nessa pauta
Do silêncio
Onde falas
Em surdina
E não ousas
Declinar,
Eco de palavras
Ocultadas,
Frieza
Também sofrida
De quem não pode
Ou já não sabe
Voar.

Leave a Reply