Poesia

O BENFEITOR

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Um homem das arábias”.
Original de minha autoria para este poema.
Maio de 2019.
Para ouvir a versão áudio, pelo autor, 
com música de Albinoni (Adagio), por von Karajan:

Berardo140519

“Um homem das arábias”. Jas. 05-2019

POEMA – “O BENFEITOR”

COMO TE VEJO,
Ó benfeitor,
Filho dilecto
 Da tua Ilha,
Nosso Jardim!
Há mil quadros,
Rara beleza,
Espelhos do teu
Amor,
Todos pra mim,
Aqui tão perto,
À minha beira...
..................
Sinto-me rico
De tanta cor
No ouro das molduras  
De madeira!

COMO TE SINTO,
Meu benfeitor,
Sempre de negro,
Artista grande
Que nem Dali,
Noites d’inverno
Onde o escuro
É a beleza
E o dinheiro
(Que foi pra ti)
O meu inferno!

VERMELHO E NEGRO,
Como Stendhal
Ou Julião
(Tens o Sarmento...),
De coração
A palpitar
(Sem um lamento).

A TUA VIDA
É um natal,
Com tantas prendas
Dos teus banqueiros...
Mas a minha
É tempestade
Com aguaceiros,
Sempre a pagar...
.................
É natural!

DA ARTE TU ÉS
O Mago,
A colecção 
Vai aumentar,
Banqueiro dá,
Finge qu'empresta,
É aos milhões,
Mas logo chega 
O meu castigo...
.................
É sempre assim,
Sempre a cobrar
(Põe-me mendigo)
O que pra ele
São só tostões...

EU GOSTO D’ARTE
Da que eu faço,
Sem a vender,
Nem a comprar,
Mas vou ao banco
(Vou muitas vezes),
Acerto o passo,
Eu tenho contas
Para pagar.

O MEU PAÍS
É muito culto,
Jeff Koons
Lucio Fontana,
Henri Michaux,
Mas no balcão
(Não sei porquê)
O meu banqueiro
É um sacana...
...................
Foi sempre assim,
Vem do avô!

ANSELM KIEFER,
Gerhard Richter.
Frank Stella...
É muito bom!
Pois tem de ser
Se o banqueiro
Olha pra ela,
(Prà colecção)
Fica pasmado
Com tanta arte
E dá-lhe tudo
Por gratidão!

E DUBUFFET,
Não gostas dele?
Morris Louis
Piero Manzoni
George Segal
Ou Chamberlain
É a beleza
Da colecção,
Perante ti...
Não percebeste?
Chegas e vês
Gostas e pagas,
És devedor...
...................
Não rogues, pois,
Crente da arte,
As tuas pragas
Ao benfeitor!

GOSTO DE TI,
Da tua arte,
Ficou humana
A nossa banca...
Mas sem milhões!
Que nos importa?
Temos beleza,
Temos amor...
E as nossas contas
Aos trambolhões...
Temos-te a ti,
Tão generoso...
..................
São os banqueiros
Os aldabrões.

MAS QUE M’IMPORTA,
Ó benfeitor,
Fizeste bem
Mais uma vez,
Pois ajudaste
Os teus banqueiros,
Tinham excesso
De liquidez.

GERALD LAING,
Alain Jacquet
Pauline Boty...
.................
Logo acertaste,
Ó benfeitor,
A liquidez
Ficou pra ti...
BerardoTrabR

“Um homem das arábias”. Detalhe.

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