Artigo

A ESQUERDA NA EUROPA DO SUL

Quo Vadis?

Por João de Almeida Santos

EuropaSul

“S/Título”. JAS. 09-2022

JULGO SER INTERESSANTE PROPOR, partindo das sondagens mais recentes (de Agosto e Setembro), uma reflexão sobre a esquerda na Europa do Sul, onde somente o PS mantém uma clara hegemonia política, liderando o governo do país (o PSOE governa, mas com maioria relativa e em coligação). Na Grécia, apesar da liderança de Nikos Androulakis ter, ao que parece, levantado o PASOK do estado calamitoso em que se encontrava, estando hoje, nas sondagens, em cerca de 11%, a bipolarização continua a centrar-se na Nova Democracia e no Syrisa, com valores a rondarem respectivamente os 33% e os 24%. Na França, é o que se sabe: o PSF desapareceu ou foi engolido pela esquerda de Jean-Luc Mélenchon. Em Espanha, está a acentuar-se de forma sustentada a hegemonia do PP de Núñez Feijóo, distanciado (nas últimas 10 sondagens), com cerca de 32%, a 8 pontos do PSOE, com cerca de 24%, enquanto se verifica uma consolidação do VOX, com cerca de 15.5%, e uma progressiva queda do Unidas Podemos, para cerca de 11%. Em Itália, é o Fratelli d’Italia, legítimo herdeiro do Movimento Sociale Italiano, de Giorgio Almirante, fascista, que lidera, com 25,1% (IPSOS, de 02.09) e 25,8 (SWG, de 05.09), situando-se o Partido Democrático em segundo lugar, a cerca de 3 ou 4 pontos de diferença (22% e 21,4%), mas o terceiro lugar é ocupado pela LEGA, de Salvini, (com 12,1%, SWG; mas na sondagem IPSOS passa para 4º lugar com 12,2% contra 14,1% do M5S, que sobe para 3.º lugar) também de extrema-direita, tendo o Movimento5Stelle 11,9% (SWG) e mantendo-se o Forza Italia em 8,3% (IPSOS) ou caindo para 6,7% (SWG). É de anotar que, no ranking dos líderes (IPSOS), Giorgia Meloni (FdI) já ocupa o primeiro lugar, com 34,5%, seguida de Conte (M5S), 31,5%, Salvini (Lega), 27,4%, Letta (PD), 26, 2%, e, finalmente, Berlusconi (FI), com 26%.

Sabe-se agora, depois das eleições de Domingo, 11 de Setembro, que os Democratas Suecos, partido de extrema-direita, já são o segundo partido sueco, com 20, 6%, depois do partido social-democrata, que continua a ser o primeiro partido, com 30,4%, não tendo, todavia, conseguido levar o centro-esquerda à vitória, podendo para a direita e a extrema-direita, que obteve 176 mandatos contra os 173 do centro-esquerda. O partido de Akesson, os DS, alinha no Parlamento Europeu com o partido da Senhora Meloni, o FdI. Formar-se-á, portanto um governo de direita que irá integrar os DS. Mais uma lição para o centro esquerda: o grande protagonista destas eleições é um partido cuja principal orientação é a luta contra a imigração, ficando na sombra a sua verdadeira identidade ideológica, pouco recomendável quer para vencer eleições quer para integrar um governo (mudara, entretanto, a chama para uma flor, no seu logo).

I.

A SITUAÇÃO não é brilhante para o centro-esquerda e o próprio PS, apesar da situação confortável de que dispõe, tem de ver um pouco mais além do que, no meu entendimento, está a ver. E, ao contrário do que poderia parecer, o facto de dispor de uma maioria absoluta talvez lhe dê melhores condições para, no plano do partido, proceder ao aggiornamento e aos ajustamentos que teima em não fazer. A começar logo pelo próprio partido, pela doutrina e pelo modo como entende a política, porque é aqui, a montante do processo, que se joga o essencial. Por uma simples razão: são os partidos que fornecem os mais altos dirigentes para a direcção política do país. A forma como se vê e se identifica, como se organiza, como funciona, como se prepara estrategicamente e se dota de um horizonte ideal em linha com os tempos é, pois, decisiva. Mas isso não acontece simplesmente adoptando a linguagem asséptica, o politiquês, ou politicamente correcta, aquilo que os franceses chamam langue de bois, agora aggiornata. Depois, é fundamental perceber por que razão a extrema-direita está a ter o sucesso que se vê nas sondagens e nos resultados eleitorais nesta Europa, estudando o seu discurso, tão motivador para enormes faixas do eleitorado. Como e por que razão as motiva. Em Itália, ela já corresponde a cerca de 38% do eleitorado, sem contar com o partido de Berlusconi (que vem exibindo regularmente uma média de cerca de 8%), um partido de tipo neoliberal (ou melhor, liberal em política e “liberista” em economia”). Em França, o Rassemblement National dispõe hoje de 89 deputados na Assembleia Nacional e a sua líder continua a ser a alternativa presidencial, num sistema maioritário a duas voltas. Aqui, no plano parlamentar, a alternativa é a coligação NUPES, liderada pelo senhor Jean-Luc Mélenchon e pelo seu partido “La France Insoumise”.  Em Espanha, o VOX em pouco tempo atingiu quase uma média de 16,6% no conjunto das sondagens, mas tendo nas últimas dez  recuado para cerca de 15,5%. Na Hungria, o parceiro político e ideológico da direita mais radical, o partido-Estado Fidesz do senhor Viktor Orbán, governa o País e acarinha a extrema-direita internacional, designadamente o partido de Matteo Salvini, o amigo político de Putin, com o qual, em tempos, este assinou um protocolo de colaboração entre os respectivos partidos, que teve posteriores e polémicas consequências. Na Polónia, o Lei e Justiça, partido de direita, do senhor Kaczynski, o seu poderoso líder, governa e dita lei. Em Portugal, em duas eleições, o CHEGA passa de 1 para 12 deputados no Parlamento.

II.

POR TUDO ISTO, torna-se necessário compreender por que razão estas forças políticas conseguem atrair importantes faixas do eleitorado, sendo certo que elas centram o seu combate em duas linhas fundamentais de argumentação: contra o politicamente correcto e as políticas identitárias que, errada, mas eficazmente, imputam em geral ao sistema e às forças de centro (-esquerda ou -direita) que o governam; e contra a visão liberal da sociedade, retomando a velha tradição romântica e anti-iluminista, crítica radical do legado da revolução francesa (veja-se a obra de Alain de Benoist e as declarações de Orbán sobre o liberalismo). Mas é também necessário compreender as razões de fundo que explicam a fragmentação dos sistemas de partidos, à direita e à esquerda. Uma coisa, todavia, é certa: não vamos lá com a habitual conversa da mudança dos sistemas eleitorais ou com a contratação de especialistas de comunicação. E não vamos lá porque a questão é mais profunda e atinge, por um lado, a própria ideia de política e, por outro, a nova identidade do cidadão/eleitor (veja-se o que, sobre este assunto, digo no meu “A Política, o Digital e a Democracia Deliberativa”, em Camponez, Ferreira e Díaz-Rodriguez, Estudos do Agendamento, Covilhã, Labcom-UBI, 2020, pp. 137-167). Não falo, pois, de targets eleitorais, não. Falo do cidadão em geral, daquele que hoje tem acesso ilimitado à informação através de variadíssimas plataformas, dos media tradicionais à rede, das plataformas tradicionais às novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs). Esse mesmo cidadão que tanto é eleitor como é consumidor ou produtor, que tanto pode ser progressista nos costumes como pode ser conservador na política, que tanto milita em partidos como é activista em associações de vário tipo. Falo de um cidadão que exibe várias pertenças em simultâneo e que é alvo de informação amplamente disseminada que lhe chega por diversas plataformas, tornando subalterno o velho sentimento de pertença ideológico e político e que até já possui meios que permitem circunscrever o poder instrumental dos media tradicionais (imprensa, rádio, televisão), que, todavia, continua a ser muito forte. E falo também de um cidadão que está cansado da langue de bois da política e muito mais ainda da nova ordem linguística que o activismo identitário e politicamente correcto lhe quer impor moral e juridicamente, sob pena de proscrição da justa ordem social. Uma versão laica, aggiornata e sofisticada do velho auto-da-fé, agora processado pela nova religião e pelos novos cardeais do politicamente correcto através do pelourinho electrónico ou, nos casos mais graves, da fogueira electrónica, onde pululam os seus fiéis representantes.

III.

MAS FALO TAMBÉM de uma política que não pode continuar a ser reduzida a uma espécie de conversa de conselho de administração que é quase igual em todos os programas eleitorais. Vão ler o programa da coligação de (extrema-) direita italiana e digam-me se não tenho razão. Se, portanto, quiserem ver qual é a política desta coligação não será através da leitura do seu programa eleitoral (que é puramente instrumental), mas, sim, ouvindo, por exemplo, o discurso da senhora Giorgia Meloni no comício do VOX na Andaluzia, por ocasião das recentes eleições regionais, onde o PP obteve a maioria absoluta e onde, mesmo assim, aquele partido ainda conseguiu, se não erro, mais dois mandatos do que os que tinha. Um discurso, este, que mostra a virulência com que a extrema-direita ataca as políticas identitárias, como se elas fossem já a expressão do sistema em vigor.  Em boa verdade, ela, em parte, acerta no alvo visto o irresponsável acolhimento, passivo e activo, que a política identitária e politicamente correcta tem vindo a ter no próprio sistema e nos seus principais agentes, alimentando, deste modo, o discurso da extrema-direita e engordando-a eleitoralmente. Já chega também de identificar governo com governança e de reduzir a política à gestão do statu quo, tantas vezes com a lógica e o deslumbramento do aprendiz de feiticeiro, gerindo instrumentalmente a comunicação e a informação para fins exclusivamente eleitorais. O fim não deve ser, para a esquerda, a mera conquista do poder, mas sim a conquista do poder para fazer coisas e mobilizar a cidadania, induzindo confiança e espírito de comunidade, promovendo junto dos cidadãos aquilo que o Kennedy disse de forma muito certeira: não pergunte o que é que os Estados Unidos podem fazer por si, mas sim o que é que você pode fazer pelos Estados Unidos. A esquerda deve proteger e garantir os direitos, as garantias e as liberdades, correspondendo às expectativas dos cidadãos, mas não pode esquecer os deveres e as responsabilidades, afastando essa erva daninha que é a fórmula “a culpa é do sistema”, que desresponsabiliza tudo e todos, a começar pelos próprios. Desresponsabilização que atira para o Estado, esse paternal manto protector, o dever de tudo reparar, com os recursos financeiros dos (poucos) cidadãos que pagam impostos. Para este fim, é, pois, necessário promover seriamente uma ética pública e o sentido de responsabilidade e de dever, sem deixar, claro, de abrir espaço à livre  e plural ética da convicção e de promover a centralidade dos valores e o investimento estratégico na cidadania pela formação cívica, pela ética, pelo conhecimento, pela cultura, pela arte, dimensões intangíveis hoje tão subalternizadas ou abandonadas perante o domínio absoluto da centralidade dos bens materiais de consumo ou, em geral, dos chamados “bens transaccionáveis”, na vida social. A questão é de uma simplicidade meridiana: não pode haver uma boa sociedade e uma boa política democrática sem cidadãos motivados, bem formados, autodeterminados e com uma relação com a sociedade sensível aos valores da comunidade. A conversa da produtividade a todo o custo, para onde tudo parece convergir, centrada exclusivamente no trabalho (individual), é errada sabendo nós que a produtividade hoje está essencialmente centrada na ciência, na tecnologia e, claro, na boa organização das unidades produtivas e que, este é o ponto, só promovendo uma ética do trabalho financeiramente sustentada será possível pedir aos cidadãos efectivo empenho a todos os níveis. Não se consegue promover a ética do trabalho sem condições materiais sustentáveis. Até já o fordismo (à sua maneira, claro) compreendera a relevância deste factor (veja-se Gramsci, A., Quaderni del Carcere, Torino, Einaudi, 1975, III, 2164-2169). Mas não serão somente as imprescindíveis condições materiais a gerar esta ética se não houver um esforço formativo estrutural, assente na educação, formal e informal, da cidadania ao longo da vida. E, todavia, o que se vê, em geral, ou seja, como discurso social dominante, é o das plataformas informativas a explorarem sistematicamente, em prime time, durante mais de uma hora, todos os dias, o negativo e a promoverem a imitação do que realmente não presta e é nocivo à própria auto-estima da comunidade. A hegemonia do irrelevante e do negativo parece ser a estratégia do poder mediático para promover o seu poder financeiro, funcionando à revelia da sua enorme responsabilidade social. Mas o que faz a esquerda perante esta autêntica e permanente intoxicação da opinião pública com o negativo e o irrelevante, para não dizer com estratégias de poder? Nada. Agacha-se, não vão os patrões dos canais televisivos retirar-lhe tempo de antena. O mesmo vale para o poder judicial, que se julga com legitimidade equivalente à do Parlamento e que age livremente sem qualquer tipo de controlo. O que faz a esquerda perante o estado calamitoso da justiça em Portugal? “À política o que é da política, à justiça o que é da justiça”, como se a justiça não estivesse sujeita à soberania popular, através dos seus representantes. Parece terem esquecido que separação de poderes não equivale a igualdade de poderes. O poder legislativo tem legitimidade directa proveniente do soberano. O poder judicial tem a sua legitimidade assente no poder legislativo (a própria Constituição é aprovada pelo Parlamento, reunido como Assembleia Constituinte). A responsabilidade sobre o bom funcionamento do sistema social é da inteira responsabilidade do poder político, não do poder judicial.

IV.

OS PARTIDOS DE ESQUERDA, prenhes de tanto Estado, deveriam investir na sociedade civil de onde emanam e a que pertencem, “back to the basics”, assumindo-se como forças propulsoras de uma boa cidadania em vez de se servirem dela exclusivamente para fins eleitorais e como máquinas de puro acesso ao poder, de ocupação da máquina estatal, de distribuição de empregos e de lobbying sistémico. Como se se tratasse, nas eleições, de uma gigantesca OPA – a concurso para um número limitado de organizações – para a conquista de uma grande e sólida empresa de gestão de recursos humanos e de activos financeiros (Administração Pública e recursos financeiros do  Estado). Pelo contrário, a sua função deveria ser a de, representando o interesse geral, se interporem na relação entre os oligopólios (que existem, nos sectores nevrálgicos da sociedade) e a cidadania, protegendo-a do seu imenso poder, exercido em cartel, gerido silenciosamente em back office e resguardado pelas muralhas intransponíveis dos call centers. Por outro lado, no plano da doutrina, continuo a não perceber como é que certos partidos sociais-democratas ou socialistas continuam a recusar o património liberal clássico, sobretudo hoje, que a centralidade do indivíduo/cidadão/eleitor/consumidor/produtor é um dado incontestável, vista a superação moderna da composição orgânica das sociedades, a globalização de processos e da comunicação e a centralidade da ciência e da tecnologia na economia. E por que razão a ideia de partido como órgão vivo da sociedade civil, e não como academia para iniciados e pura antecipação e prefiguração do Estado, continua fora dos horizontes dos partidos? E por que razão não apostam na eficiência do Estado, na sua regeneração, pondo fim ao funcionamento da máquina estatal somente por inércia (a não ser nos impostos)? Quem trabalha nele deveria compreender que são os cidadãos que, com os seus impostos, lhe pagam o ordenado e que o seu trabalho deve estar inscrito numa saudável ética pública. É urgente romper com o círculo infernal do crescimento da máquina estatal e do crescimento progressivo dos impostos que caem exclusivamente sobre cerca de metade da população activa.

V.

TUDO ISTO É URGENTE, ao mesmo tempo que é urgente compreender por que razão o PSF desapareceu, depois de o seu líder ter acabado de desempenhar as funções de Presidente da República; compreender por que razão o PASOK colapsou, cedendo o seu lugar à extrema-esquerda na dialéctica da alternância; compreender por que razão a subida do VOX está a acontecer de forma tão rápida e tão significativa, mesmo com o PP a crescer também; compreender por que razão a extrema-direita cresceu tanto e tão rapidamente também em Itália, a ponto de se poder prever que irá formar governo a partir do mês de Setembro, sendo certo que não é a primeira vez que este país é um significativo laboratório político europeu e não pelas melhores razões; e, finalmente, compreender as razões do rápido crescimento do CHEGA em Portugal. E não falo da Academia. Essa seria outra conversa, pois também ela parece estar mais preocupada em gerir carreiras do que em produzir pensamento e saber válidos socialmente. Falo dos partidos políticos que detêm a responsabilidade política directa sobre a sociedade.

VI.

NÃO SE TRATA de fenómenos conjunturais, mas de razões de fundo que se reforçarão se não houver um esforço de compreensão das mudanças estruturais que se estão a verificar e se não houver as correspondentes mudanças de fundo nas políticas essenciais do país. Por exemplo, nas políticas fiscais, que estão a empobrecer brutalmente os poucos (cerca de metade da população activa) que pagam impostos. Ainda continua válido o princípio de “no taxation without representation”, que associa “taxation” a “representation”, agora adaptado aos novos tempos nas sociedades pós-coloniais e, por isso, invertido na ordem dos seus termos, “no representation without taxation”? E se, em homenagem a este princípio e como símbolo de reconhecimento do valor comunitário pela cidadania, por toda a cidadania pagasse impostos, embora alguns de forma meramente simbólica? Não, não se trata da “flat tax”, mas de uma forma de expressão material do dever comunitário e de efectivo empenho social, ainda que simbólico nos casos em que isso se justifique. Aquilo a que se assiste em Portugal, do ponto de vista fiscal, é verdadeiramente pornográfico. Impostos directos, indirectos, taxas e taxinhas, sempre a somar. Apetece, a propósito, usar uma certeira expressão italiana: “chi più ne ha, più ne metta”. Basta, a título de exemplo, fazer a análise do que acontece a quem tem uma viatura e a usa: impostos e taxas sobre tudo, sobre a compra (imposto sobre veículo e IVA, dois impostos sobre o mesmo produto), sobre a posse (IUC), sobre os combustíveis (ISP e IVA), sobre auto-estradas, que já são de uso comum (preço de circulação e imposto de 23% sobre o respectivo preço), sobre o estacionamento (de 23% e mesmo em superfície), sem contar com a política sniper da polícia para encher, através das multas, os bolsos do Estado. Quase se poderia dizer que se está a assistir a uma captura e mercantilização ou privatização, pelo Estado e pelos privados, do espaço público. Ter um carro e usá-lo, hoje, representa um rombo enorme nas próprias finanças, como se fosse um luxo (ainda por cima poluidor). Junta-se o princípio do utilizador-pagador, tão “hosanado” pelo antigo ministro Mexia, a níveis incomportáveis de impostos e de taxas sobre tudo o que mexe, não sendo, ambos, assumidos como relativamente  alternativos, mas como soma financeiramente virtuosa, para o Estado e arredores, claro está. Já nem sei mesmo se esta injunção excessiva do Estado (compreendidas as autarquias) não representa, de facto, uma autêntica estatização integral da vida social por via fiscal. Um ulterior alargamento do manto protector – mas também castigador (neste caso, fiscal), como acontece sempre com o paternalismo protector – do Pai-Estado. O que não parece ser muito compatível com a matriz da nossa própria civilização, aquela que continua válida e inspirada na célebre e genial Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de Agosto de 1789. Mas será que os nossos políticos do centro-esquerda (mas até do centro-direita) não têm mesmo um sobressalto e fazem alguma coisa para mudar isto, antes que a cidadania tome medidas mais drásticas, e não as melhores, para mudar as coisas?  Será que estamos mesmo condenados a correr sempre atrás do prejuízo, como está a acontecer mais uma vez com os fogos florestais?

NOTA

ESCREVI este artigo antes de conhecer as medidas do governo anunciadas na Segunda-Feira, mas, numa primeira análise, não me parece que tenham vindo a alterar qualquer dos aspectos aqui referidos. Nenhuma medida de fundo, mas apenas medidas pontuais, limitadas no tempo, sendo a medida relativa aos pensionistas uma mera antecipação de valores, compensada depois pela redução dos valores de actualização anual das pensões. Mantém-se a resistência a alterar os impostos em matérias fundamentais (por exemplo, combustíveis e gás, sendo que o da electricidade também é limitado no tempo, até final de 2023, e refere-se somente à taxa de 13% e não à de 23%). #Jas@09-2022

EuropaSulRec

“S/Título”. Detalhe

3 thoughts on “Artigo

  1. Transcrevo o comentário do meu Amigo Luigi Zanini, que agradeço:

    “Caro João,
    ho letto il tuo lungo articolo che ho trovato molto interessante e che ha stimolato alcune considerazioni ovviamente “limitate e personali”:
    Mi sembra che siamo in una epoca in cui bisognerebbe puntare a valorizzare la Politica al servizio dei Cittadini e dell’Ambiente in modo “verticale” e non “orizzontale”.
    Mi spiego: si parla, si argomenta si promuovono fatti, persone, di Sinistra, Centro/Sinistra o di Estrema Destra con valutazioni che non sono quasi mai “neutre”. Io sono per l’autonomia del Veneto (nel referendum del 22 ottobre 2017 : il 98,1% dei Veneti -2.273.985 persone – ha votato Si’) e appoggio nel mio voto la Lega che l’ha promossa e la vuole realizzare ma, non accetto d’essere considerato di “Estrema Destra” e quindi “negativo” o “pericoloso”.
    Questo schema “ orizzontale” non va bene, e’ “strabico”, “stonato” ma nonostante tutto si continua ad applicarlo. La Sinistra (Estrema Sinistra?) denigra tutto quello che la Destra propone senza accettare un dialogo che dovrebbe essere logico.
    A forza di denigrare l’avversario la Politica ha perso di vista quello che la gente, il popolo chiede. Quel popolo che delega ai politici la missione di provvedere al loro ben-stare nella vita.
    Da questo lo stallo che la gente non accetta piu’ e che l’ha allontanata dal voto.
    In Italia il movimento 5 Stelle, meteora politica ora “stella cadente” si e’ affermato per questo: la gente ha bisogno di “speranza” e persone “non stellate” senza esperienza , per il loro “dichiararsi” innovatori e diversi, hanno avuto nelle ultime elezioni un risultato rivoluzionario ma poi, alla prova dei fatti, l’incompetenza li ha portati ad azzerarsi salvo continuare a sopravvivere al Sud per pure questioni clientelari (reddito di cittadinanza).
    In parte Fratelli d’Italia sfrutta la stessa situazione ma con persone che hanno competenza politica e qualita’ sociale. Anche la Lega ha sfruttato negli anni questa situazione analogamente.

    Credo che il posizionamento politico dei Partiti tradizionali sia obsoleto. No hanno capito che devono applicare una strategia di rifondazione tipo ”zero base” per mettersi in discussione e rifondarsi.
    Pensano al domani, come anche tu hai sottolineato, preoccupandosi di mantenere il potere allargando incentivi a quanti sono nella loro orbita tradizionale e non si preoccupano di rivalutare le proprie radici e cosi’ rimangono ingessati e si affannano a screditare l’avversario che minaccia il loro potere.

    Quando la mia boungaville in vaso era sofferente ho potato i rami vecchi, acquistato un vaso nuovo, piu’ grande, della terra nuova, ho ripulito parte delle radici, concimato “a lunga cessione” , reinvasato e poi irrorato le foglie con insetticida per proteggerla.
    Questo, a mio parere, puo’ essere un esempio da considerare in molte situazioni della vita e della Politica.
    Ecco le persone vogliono una Politica “verticale” “base x altezza” strategica dove alla base deve essere posta e fissato il valore della missione con le richieste, che evolvono, dei cittadini, e gli obiettivi del loro sviluppo che deve incontrare le speranze e le necessita’ del Paese e poi le integrazioni con le altre realta’ del mondo.
    Ogni paese poi dovrebbe confrontarsi in questa logica puntando a minimizzare la burocrazia che paralizza e impoverisce l’azione e a incentivare lo sviluppo di confronti per la produzione di valori per la persona nel rispetto di quanto abbiamo ereditato dalla Natura e dalla Storia.

    Ora mi fermo.

    Grazie per l’occasione di riflessione, amico mio.
    Ti lascio con due estratti dal Libro di Luca Zaia, Presidente della Regione Veneto, che ti avevo accennato.
    Abbraccio.

    Luigi
    9 Settembre 2022

    *(dal libro “Ragioniamoci sopra: Dalla pandemia all’autonomia” di Luca Zaia)
    ……………..
    “Noi Veneti non siamo un popolo di giuristi, sebbene con i suoi otto secoli di attività l’università di Padova sia un faro del diritto, ma, pur vivendo in un paese sfacciatamente centralista come il nostro, abbiamo mostrato più volte che davanti a un problema non aspettiamo che arrivi qualcuno a risolverlo, lo affrontiamo. Per inclinazione naturale siamo predisposti a gestire situazioni ordinarie ed emergenze in modo autonomo, e non è un caso che il nostro modello venga apprezzato. Se la sanità veneta è annoverata tra le eccellenze europee, se altri comparti funzionano meglio che altrove, forse vale la pena di interrogarsi sulle motivazioni. Di certo non abbiamo ricevuto più soldi di altre regioni; al contrario, il Veneto occupa il terzultimo posto nella classifica della spesa statale. Per ogni cittadino veneto lo Stato centrale spende 2816 euro a fronte di una media nazionale di 3689 e di 4150 per ogni cittadino calabrese o 8092 per un residente del Trentino-Alto Adige. Ma è anche una delle regioni con meno evasione fiscale: non solo il sommerso si stima pari al 12,7% della ricchezza prodotta – un dato ben distante da altre aree del paese in cui sfiora il 20% –, ma ha un indice di fedeltà fiscale che è secondo solo a quello del Trentino-Alto Adige. Anche soltanto per questi indicatori, che dimostrano come i cittadini siano ossequiosi degli adempimenti, la nostra regione si meriterebbe l’autonomia. Se in Veneto la invochiamo, non è semplicemente per ottenere più risorse, sebbene i cittadini abbiano il sacrosanto diritto a una risposta quando chiedono di capire come mai alla loro regione spetta un residuo fiscale – la differenza tra tutte le entrate prelevate da un territorio e le risorse impiegate nello stesso – di 15.458 milioni di euro su 71.843 versati. Lo facciamo anche alla luce dei dati che avevamo in mano quando siamo andati alle urne per il referendum consultivo, i quali dimostrano come nel Veneto i costi dell’intera macchina della pubblica amministrazione siano i più bassi d’Italia. Un modello i cui parametri, se per assurdo potessero trovare applicazione su tutto il territorio della repubblica, produrrebbero un possibile risparmio della spesa del 14%, per più di 32 miliardi di euro complessivi.” (from “Ragioniamoci sopra: Dalla pandemia all’autonomia” by Luca Zaia)
    …………..
    Una maggiore autonomia regionale è indubbiamente lo strumento di cui possono beneficiare, e non poco, le stesse regioni meridionali. Il risanamento economico del Mezzogiorno, infatti, sta diventando una spirale senza fine che i cittadini di quelle regioni per primi non meritano. Non è un caso che negli ultimi vent’anni il Meridione sia stato contrassegnato da una continua emigrazione, destino non riservato esclusivamente, come un tempo, a uomini e donne che possano contare solo sulla propria forza fisica, sul lavoro delle proprie braccia, come unico capitale. Se n’è andata e continua ad andarsene la parte più fiorente della società, i giovani e, tra questi, i migliori, ragazze e ragazzi preparati, volenterosi, dotati di un’istruzione superiore, universitaria e postlaurea, forti di esperienze all’estero. È chi continua a difendere questo assetto politico istituzionale che fa male al Sud, perché lo rende protagonista di tentativi di riscatto tutti pensati e calati dall’alto con una logica dirigistica, distribuendo a pioggia risorse sul territorio a prescindere da ogni valutazione sulle effettive capacità di assorbirle e avviare una crescita autonoma. La stessa logica del Pnrr, che in una simile situazione destina il 40% degli investimenti al Sud, rischia di rivelarsi fragile, perché, quando si fanno investimenti, quello che conta è che siano realmente funzionali e in grado di fare da propellente per uno sviluppo autonomo. Al contrario, invece, assistiamo da sempre al ricorso alla spesa pubblica che, come le sterpaglie nel caminetto, ha l’effetto immediato di una fiammata rapidissima del Pil – e non sempre – per poi tornare al punto di partenza. Ci sono regioni del Sud che hanno percentuali stratosferiche di Pil alimentate dalla spesa pubblica. È chiaro che questi territori non possono crescere ma, ciononostante, c’è un’ampia fascia della politica che chiede di aumentare ulteriormente la spesa in questa direzione. È una ricetta che non darà risultati positivi, come non ne ha dati fino a oggi. A rimetterci, purtroppo, saranno i cittadini.
    …………………

  2. Grazie, Luigi.
    Da molto che vengo riflettendo sulla necessità di capire la profondità dei cambiamenti que stanno avvenendo, specie sul piano politico. L’immagine che usi può essere efficace per il cambiamento, ma le resistenze sono enormi perché il protagonisti vogliono preservare il loro potere e le regole con le quali sono arrivati li. Non conoscevo i numeri che riguardano il Veneto e sono davvero impressionanti. Ed é vero: il mezzogiorno continua ad essere un grande problema per l’intero paese. Mi ricordo benissimo degli scritti di Antonio Gramsci sul Mezzogiorno. Bisognerebbe, comunque, fare un compromesso tra una visione verticale e una visione orizzontale: promuovendo maggior autonomia alle regioni, ma anche più efficacia e coraggio al centro per prendere decisioni strutturali per tutto il paese. Il trasformismo non porta a nessun luogo. Soprattutto quando assistiamo a cambiamenti così profondi come quelli stiamo vivendo.
    Ed è vero che oggi assistiamo ad una, poco democratica, diabolizzazione degli avversari como se questo discorso fosse un discorso di valori. Invece, è un discorso poco democratico perché in democrazia non ci sono nemici, bensì avversari da rispettare. Penso molto al discorso “politicamente corretto”, assolutamente non accettabile e da combattere senza esitazioni. Grazie per il tuo interessante commento e per i testi de Zaia. Abbraccio amico. João.

  3. Caro Joao,
    Concordo con te e ti ringrazio per l’arricchimento riflessivo che ho trovato nella circostanza.
    Sono pessimista circa una inversione della tendenza in atto perché come tu dici chi ha il potere non sente l’esigenza anche solo morale di cambiare.
    Come immagino molte altre persone provo un forte senso di impotenza a dare un contributo per migliorare.
    Il solo voto che comunque onorerò il Italia il prossimo 25 settembre non porterà alcun beneficio ma, comunque, mantengo sempre accesa la speranza per un domani “migliore”.
    Abbraccio.
    Luigi

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