Poesia-Pintura

ERRÂNCIA

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Encruzilhada”
JAS 2025
Original de minha autoria
Julho de 2026

“Encruzilhada” – JAS 2026

POEMA – “ERRÂNCIA”

INFINITAS 
São as voltas
Que o poeta 
Tem de dar
Pra descobrir 
Os caminhos
Que o levem
Aonde 
Tem de chegar...
..............
Mas seja novo 
Ou seja velho,
É sempre 
O mesmo lugar. 

AS VOLTAS 
Tem de as dar,
Assim exige
O amor,
Se não descobrir
Os caminhos
Vai crescer
A sua dor.

POR ISSO, 
Inventa sempre
Outras vias
Com as palavras
Que tem
À procura
De um lugar
Habitado
Por ninguém. 

E ASSIM  
Regressa sempre
Ao seu ponto
De partida
Apesar de já
Saber
Que é caminho
Sem saída.

MAS NÃO IMPORTA,
O que conta
É caminhar,
Inventar 
Encruzilhadas
E decidir 
O caminho
À procura 
Do lugar
Onde nunca 
Chegará..
.......
O lugar
Da musa amada,
Que nunca sabe
Onde está.

MAS OS SEUS
Caminhos
Fazem-se sempre
Caminhando,
Inventando
Suas rotas
Numa certa direcção
Onde nunca
Vai chegar
Porque o fim
Desta missão 
É apenas
Caminhar.

CAMINHAR
Sobre marcas
Que encontrou
Quando ele 
A procurava
Em lugares
Por onde andou
Perdido
E iludido
Por uma musa
Que, por certo,
O não amou...
............
Não importa,
Dirá ele,
Já fui outro,
Já fui aquele
Que agora
Já não sou. 

SOU POETA,
Eu interpelo
A musa
Com as palavras
Que tenho,
Queira ela
Ou não queira,
É com elas
Que a desenho
Pra tê-la
À minha beira,
Sempre bem perto
De mim...
...........
Parece mesmo
Magia,
Mas poesia
É assim.

 

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