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Sobre joaodealmeidasantos1

Professor universitário, escritor, poeta, pintor. Publicou várias dezenas de livros, seus e em co-autoria, de filosofia, política, comunicação, romance, poesia, estética. Foi professor nas universidades de Coimbra, Roma "La Sapienza", Complutense de Madrid e Lusófona (Lisboa e Porto). Publica semanalmente, neste site, ensaios, artigos, poesia e pintura.

Poesia-Pintura

“SOU O QUE SOU”

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Fantasia de Poeta”. 
Original de minha
autoria para este poema.
Novembro de 2019.
OPoeta0311

Fantasia de Poeta. Jas. 11-2019

O POEMA – “SOU O QUE SOU”

EU SOU
O que sou,
Poeta
Pra te cantar
Mesmo que tu
Já não ouças
O pranto da minha
Voz
De tantas vezes
Chorar...

EU SOU
O que sou
Porque tu és
Em mim
Sempre mais
Do que pensas
Poder ser,
Uma deusa,
Uma musa
No jardim
Que m’inspira
Para de ti
Renascer...

BEM SEI
Que hoje
Me pintei
De poeta
Para duas vezes
Te ver
E duas
Te encontrar
Nos versos
Que já clamam
Por de novo
Te cantar.

SIM, TU ÉS
Musa
Dos versos
Perdidos,
Dos versos 
Cantados
Neste deserto
Interior
Da eterna
Despedida...

NÃO IMPORTA
O que pensem,
Como te vejo
Ou te canto
Porque serei
Sempre movido
Pela força
Do encanto.

ENCONTREI-TE
Sem procurar
O destino
Que te trouxe,
O mesmo
Que te levou...
.................
Cruzámo-nos
Nesse caminho
E, agora,
É por ele
Que sempre vou.

O VENTO SOPROU
Forte
Em nós
E voámos,
Voámos
No céu azul
Com as asas
Do desejo
Até cairmos
Do céu
Quando veio
A tempestade
E o vento
Nos deixou...

ACORDEI
Numa árvore
Frondosa,
Olhei em redor...
...Não te vi!

DESDE ENTÃO SOU
O que sou,
Aquele que
Caiu das nuvens
E, sozinho,
Acordou
Na copa
De uma árvore
Onde pra sempre
Ficou.

POR LÁ FIQUEI,
Sim,
A olhar o azul
Do céu
Perscrutando
O horizonte
Para ver
Se lá te via,
Fosse tarde,
Fosse manhã,
Fosse noite
Ou fosse dia.

É A ÁRVORE
Onde vivo,
A minha casa
Discreta
De onde
Só te vislumbro
Como simples
Silhueta...

TORNOU-SE
Meu cativeiro,
Onde vivo
E te procuro
(Fantasia
De poeta)
Lá no fundo
Da memória
Pra me tornar
Teu profeta....

CERTOS DIAS,
Na memória
Ganho asas
E logo voo pra ti
Sem sair
De onde estou...
................
Perdi-te,
Já não te alcanço,
Já nem sei
Por onde vou...

TRAÇA-ME TU
O caminho,
Pra chegar
Ao pé de ti,
Tenho palavras
Que cheguem,
Foi com elas
Que cresci
E com elas
Eu voei
Na linha do
Horizonte
Quando um dia
Te encontrei
No sagrado
Do meu Monte.
OPoeta0311Rec

Fantasia de Poeta. Detalhe.

Poesia-Pintura

O TEU CORPO

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração - “S/Título”- de minha autoria
sobre quadro anónimo (fotografia de mulher
em contraluz) da minha colecção privada.
Outubro de 2019
Mulher2110_2

S/Título. Jas. 10-2019

POEMA – “O TEU CORPO”

HÁ POESIA
No teu corpo,
Geometria
Sensual
Que te desenha
No espaço,
Como te contas
Sem palavras,
Contraponto
Luminoso
Da minha melodia...

HÁ MÚSICA
Em ti,
Pauta
De beleza 
Que ondula,
Instável,
Entre riscos
E cores,
Desenhando
Enigmas
Que só o poema
Pode decifrar...

TENS A ALMA
Inscrita
Nas formas
Do teu corpo,
Como eu a tenho
Nas palavras
Que lanço
Ao vento
À procura
Da tua utopia...

E VEJO-TE
Como letra
Da canção
Que vou cantando
Na minha subida
Ao monte,
Quando o vale
Já não me chega
E nem tu chegas,
Afinal,
Pois partiste
Em busca
Dos palcos
Da tua vida...

MAS EU RESPIRO-TE
Ao ritmo
De uma dança
Com o poema
Que canto,
Palco de beleza
Onde te enredo
A alma
Em teia
Que prende
E te liberta...

PROCURO-TE
Na pintura,
Fixo-te
Para te cantar
Quando a noite
Cai sobre mim
E mergulho
Na solidão
Do silêncio
Com que,
De longe,
Me falas.

E SONHO-TE
Num bailado
A solo,
Dançando,
Dançando,
Ao luar,
Na praia
Da meia-lua
Para que eu
Te volte a cantar
Em poemas
Ao ritmo
Com que te
Vais desenhando
Nas telas
Coloridas
Do teu acontecer.

E, NO FIM,
ROGO-TE
Que não pares
O teu silencioso
E longínquo
Bailado
Solitário
Até que eu te
Desenhe
Em palavras
Luminosas
Para que nelas
Te revejas
Como se fossem
O espelho
Encantado
Da tua alma...

QUE FAZES
Da tua vida,
Meu amor?
S:TítuloPublicadoRec

S/Título. Detalhe.

Poesia

COMO TE QUERO...




POEMA de João de Almeida Santos.                    Gustav Klimt - Two studies to a young woman sitting on a tablenDeutsch Zwe - (MeisterDrucke-351787)

Ilustração: “SEDUÇÃO”. 

Composição de minha autoria a partir 
de um estudo de Gustav Klimt. 

- "Dois estudos de uma jovem mulher", 1885. 
JASKlimtFinal1410Fim3

“Sedução”. Jas. 10-2019

POEMA – “COMO TE QUERO…”

PEDI EMPRESTADO
Ao pintor
Este rosto
De onde vejo
A cor
Velada
Da tua alma...

ENIGMÁTICO
OLHAR
Que me perscruta
E fascina,
Beleza etérea,
Divina!

OS TRAÇOS
DELICADOS 
Que o desenham
E a leveza
Das vestes
Que velam 
E desvelam
O corpo
De pele macia
Que me cativa
O desejo...
..............
Seduzem-me!

E FICA-ME 
ESTE ROSTO
Solitário
Na galeria poética
Da minha vida
Onde te versejo
Mil vezes
À procura
De um amanhecer
Que nunca chega...

PARA TI DIRIGI
O meu olhar
Através de um espelho,
A obra de arte,
Vi leveza,
Beleza intangível
E ouvi silêncio
Profundo
Envolto
Por uma densa
Neblina
Que nunca se dissipa!

E ENTÃO RECRIEI-TE,
Com a ajuda
Do pintor,
Tal como
Te desejo,
Na fronteira,
Sempre no limiar
Do impossível,
Na distância
Que o destino
Nos traçou
E nos compassos
Do silêncio
A que a deusa
Nos votou.

SE TE ENCONTRAR
De novo
Só saberei ver-te
A partir
Deste fino rosto,
Memória de ti,
Numa tela
Cantada por mim.

E ENTÃO REGRESSO
Às tuas cores
Para com elas
Te desenhar
De novo
Com o pincel mágico
Do pintor
Que eu amo
Em ti.
JASKlimtFinal1410Fim3Rec

“Sedução”. Detalhe.

Poesia

JASMIM

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Rapsódia”.
Original de minha autoria.
Outubro de 2019.
JAS_RapsódiaFinal

“Rapsódia”. Jas. 06-2018

POEMA – “JASMIM”

FLORESCEU O JASMIM,
Dele jorra Poesia,
Embriaga,
O aroma,
Liberta-se
A fantasia!

DOU ÀS PALAVRAS
A COR,
O seu perfume
Ilumina,
Bate o sol
Nas suas pétalas,
É luz intensa
Que brilha
No poema que
Germina...

JÁ NÃO É SÓ
O LOUREIRO,
Agora canto
O jasmim,
É tão vivo
O seu perfume
Que se renova
Em mim.

INUNDO-ME
DE PALAVRAS,
Canto
Este mundo
Da cor,
Subo ao céu
E penso em ti,
Levo comigo
Essa dor...

SOU ÍCARO
Lá no alto
E quando o sol
Me bate forte
Caio em mim
Do meu poema
E no chão
Fico sem norte...

PEÇO AJUDA
À MONTANHA,
Volto a subir
Com alegria,
Lá no alto
Vou renascer,
Regressar à
À poesia...

E ENCONTRO
O MEU JASMIM
Mesmo ao lado do
Loureiro,
Respiro fundo
O aroma
E torno-me
Jardineiro!

E ASSIM EU VOU
VIVENDO
No jardim da
Minha vida
Em poemas
E pintura...
.............
E se a dor
Não tem remédio
Que seja esta
A cura!
JAS_RapsódiaFinalR

“Rapsódia”. Detalhe.

Poesia

ENCONTRO

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Silhueta”.
Original de minha autoria
para este poema. Outubro, 2019.
Silhueta06

“Silhueta”. Jas. 10-2019

POEMA  – “ENCONTRO”

OS ASTROS
ALINHARAM-SE
Uma só vez,
Passados anos
De aridez
Que roubou
Tempo
De fantasia,
Luz
À vida,
Lentamente,
Cada dia...

ENCONTREI-TE
Sem querer...
..................
Astros ou destino,
Quero lá saber...
Que bela
Esta forma
Tão singela
De te ver!

ABANDONEI-ME
Ao destino,
Chegou o acaso,
Vi-te estranha
Ao olhar
De tão tardio
Encontro
 Com a fita
Da memória
A rolar
Em moviola.

ERA INCERTA
A TUA IMAGEM,
O olhar
Embaciado,
Um arco-íris
Descera
Com o sol
Dessa manhã,
Gotículas
Brilhantes
Como lágrimas
De alegria...

FICOU-ME
A alma cheia,
A transbordar
(Ficou),
Mas o vazio
Também logo
Regressou.
Mais do mesmo,
Como antes,
Um desencontro
Sem fim...
...............
E o ânimo
Quebrou.

VISLUMBREI-TE
Perto do meu
Destino,
Raptou-me
O acaso
A incerta silhueta
Que não pude
Desenhar
No meu campo
De visão
Como se fosse
Castigo
Por insólita
Paixão.

AQUI ESTOU EU
Devolvido
À solidão,
Novas saudades
De ti,
Um poema
Em gestação...

SÓ ASSIM EU SEI
Falar,
Fico incerto
Se te vejo,
Troco o passo
A cada instante,
Hesito nesse
Momento,
Finjo aquilo
Que não sinto
E, por fim,
Fico tão-só
Amante da poesia
Que me dá o que
Não tenho...
...............
Uma réstia
De alegria.

OS ASTROS
ALINHARAM-SE
Pra te voltar
A perder,
Dois minutos,
Um sorriso...
................
Chegou cedo
Este novo
Entardecer!
Silhueta0610R

“Silhueta”. Detalhe.

Poesia

ESSES OLHOS NEGROS…

Poema de João de Almeida Santos. 
Ilustração: “Olhar”. 
Original de minha autoria 
para este poema. Setembro 2019.
MakalFinal29

“Olhar”. Jas. 09-2019

POEMA  – “ESSES OLHOS NEGROS…”

DESSES OLHOS NEGROS
Eu tenho
Saudades,
Viajo com eles
Na minha memória
Pra te alcançar
Neste oceano
Onde eu navego
Entre altas vagas
Sem nunca parar...

E TENHO SAUDADES
Por nunca te ver...
..........
Quiseste
Partir
E logo negar
O tempo exacto
Para te sorrir.

EU TENHO SAUDADES
Saudades de ti,
Quando te invoco
Com estas palavras,
Te digo
O que sinto...
..................
Que esta saudade
Já não vai parar
Mesmo se minto
E digo em arte
Que te vou 
Inventar.

EU TENHO SAUDADES
De te encontrar
Naquele jardim
Onde o desencontro
De ser tão intenso
Até parecia
Nunca ter um fim...

E TENHO SAUDADES
Quando te escrevo
Estes meus poemas
Sabendo por certo
Que não terá eco
O que neles te digo
E sempre senti.

EU TENHO SAUDADES
Mas já nem eu sei
Porque é que vivo
Tão perto de ti
E quase te sinto
Quando tu respiras
O ar que te sopra
Como densa bruma
Nesse teu jardim.

EU TENHO SAUDADES,
Saudades de ti,
E até sei porquê
Este meu sufoco...
................
Talvez porque
Foges,
Nem sequer nomeias
O que te ressoa
Se o canto
Te chega
E sobre ti ecoa.

SEI BEM A RAZÃO
Porque não te encontro
Nem te dou a mão
Pra que não me fujas ...
........................
Porque é em vão!

COM TANTA SAUDADE
Até sou feliz
Em certos momentos,
Tão longe de ti,
Com alma
Em tormento,
Porque eu te amo
Ao sabor do vento
E da poesia
Que sopram
Intensos
Lá do teu jardim,
Mas tenho saudades
Desses teus olhos
Que vejo daqui
Porque eles me dizem
Que longe que estejas
Estás perto de mim.
MakalFinal1R

“Olhar”. Detalhe.

Poesia

PINTEI-TE

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Mulher”. 
Original de minha
autoria para este poema. 
Setembro de 2019.
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“Mulher”. Mas. 09-2019

POEMA – “PINTEI-TE”

PINTEI-TE
Como te vejo
Por dentro.
Gosto do Modigliani
E gosto de ti,
Dei-te este rosto
Que por dentro
Me sorri.

PINTEI-TE
Única e
Deusa,
Meu encanto,
Aura e halo,
Entre a vida
E o meu canto
Infinito
Intervalo.

PINTEI, SIM,
Para te dar
A cor
Que não queres.
É como dar-te
A vida que
Não tens
Fora de mim.

E SABES?
Gosto de ti
Assim,
Com estas cores,
Geometria
Que desliza
Para uma aguarela,
Como água
Cristalina
A brotar
Desse teu rosto...

AGORA EXPONHO-TE,
És espelho
Do poema,
Cores quentes
A ferver
Como eu
Que t’escrevo
Cartas de amor
Disfarçado
De poeta
Neste meu
Entardecer,
Quando o azul
Se faz breu.

AH, SIM,
Metade sou eu,
Metade é o poeta
Que desenha
Com palavras
E te celebra
Com as cores
De que te veste
No tempo
Da fantasia.

PINTEI-TE
E eu não queria...
...............
Mas o desejo
De te ter
À minha frente
Foi mais forte
Do que eu,
Pulsão quente,
Desejo ardente,
Olhar de frente
O teu céu.

OH, AFINAL,
Pinto-te sempre
Na tela
Da minha alma
Com palavras
Que o vento
Leva
E cores
Que se dissolvem
Neste triste
Entardecer.

E PARA QUÊ?
Para nada?
Dizes:
“- Eu quero lá
Saber!
Pinta praí
Como danado
Até que a cor
Te doa
Do teu pecado,
Escreve
E canta
Até que as mãos
Afaguem
Essa garganta
Dorida,
Olha-me
Até que a vista
se canse
De nunca me
Alcançar
Por ser visão
Proibida”.

OH, PENSANDO
Melhor
(Finalmente,
Tu dirás),
“- Pinta, canta 
E olha
Porque, afinal,
Até gosto
Do que o teu
Canto me traz.

SEM TE LER
Nem te ouvir
Ou ver-te
Com memória
Atormentada
Do que nunca
Aconteceu...
...........
Eu bem sei
Como a ausência
Te doeu!”

“ - MAS PINTA,
Meu amor, pinta,
Quem to pede
Não te quer,
Mas sabe
Quanto a cor
Adoça a vida
Se perdeste
Uma mulher.”
Recorte

“Mulher”. Detalhe.

Poesia

COLISÃO

Poema de João de Almeida Santos. 
Ilustração: “Meteorito”. 
Original de minha autoria 
para este poema. Setembro de 2019.
Meteorito_Final

Meteorito. Jas. 09-2019.

“Dentro de los meteoritos y sus metales 
extraños se leen 
las historias de otros mundos” 
(El País, 07.09.19)

POEMA – “COLISÃO”

CAÍSTE EM MIM
Como meteorito,
Embate espectral
No meu chão,
Abriste
Sulco profundo
No meu corpo,
Mas não doeu
Essa abrupta
Aparição...

A VELOCIDADE
Cegou-me
(É sempre assim),
Clarão,
Ondas,
Vibrações
Abanaram-me
A alma,
Raízes
Estremeceram
Lá mais no fundo
De mim.

PROCUREI-TE
Nessa cratera
Cavada na minha
Alma
E passada
A tempestade
Vi fragmentos 
De ti,
Minerais 
Pra lapidar
Como dunas
Desenhadas
Pelo vento
Aqui bem perto
Do mar.

NESSA FENDA
Tão profunda
Encontrei
Um brilho
Estranho
Que me pôs
A levitar,
Sol frio
Como metal,
Gelo cortante
A cair 
Na linha 
Do meu olhar...

NUNCA MAIS DE LÁ
SAÍ...
............
E com mãos
De alma pura
Peguei 
Subitamente
Em ti...
..........
Escaldavas
De tanto brilho
Exalar
E caíste-me
No chão,
Trémulo
De tão inquieta
Incerteza,
Calor
Fervente
No peito,
Mistério
De uma estranha 
Beleza
Que renasce
Na cratera
De um vulcão...

FIZ DE TI
Minha bola
De cristal,
Li nela
A história de um
Encanto
Que trespassou
Como raio
Uma fronteira
Vital.

E AQUI ESTÁS
Em tão sofrida
Distância,
Estranhos
Perante nós
Como quis o
Meu destino
E os astros
Do teu chão
Na fronteira
Do divino.

MAS NÃO PERDESTE
Magia,
Meteorito
Em quietude,
Íman
Silencioso
Que me atrai
Suavemente
Como oráculo
De um destino
Sempre em lenta
Gestação.

LEIO-ME A ALMA
Na superfície
Dourada
De teu corpo
Incandescente
Qu'ilumina
A emoção,
Me consome
E me domina
Nesta tensa
Relação.

ÉS RASTO CÓSMICO,
Atracção fatal
Que me suspende
A vida
Pra me fazer 
Levitar,
Tornando 
Meus tristes 
Dias
Uma paisagem 
Lunar.

AH, SIM,
Mas és razão
De arte
Nesta vida
Que inventei,
Encantamento,
Fonte seminal
Onde bebo
E me embriago
D'emoção
Até te ter
Um momento
Nas palavras
De um poema
De quimérica
Paixão.
Meteorito_FinalR

Meteorito. Detalhe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia

“COR, MAIS COR…”

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Caminhos”.
Original de minha autoria
para este poema.
Setembro de 2019.
CorMaiscorFinal2

Caminhos. Jas. 09-2019

POEMA – “COR, MAIS COR…”

COR, DÁ-ME COR
Fico mais perto
De ti
Se vieres
Com o vento...
..............
Cor, mais cor,
Que as palavras
Coloridas
Já me sabem
A cinzento...

OU TALVEZ NÃO.
Palavras
Já não me faltam,
Não sinto
Escuridão,
Ainda consigo
Dizer-te
Em mil palavras
Pintadas,
Entregar-te
A minha alma
Na palma
Da tua mão.

TENHO-AS
Que me cheguem
Para gritar
A vermelho
O concreto
Do teu nome,
Ver, assim,
Esse teu rosto
No eco
Da minha voz
Sem que a tristeza
Assome.

AH, E A COR
Se for intensa
E crescer
Em explosão,
Se tiver
Em contraponto
Palavras
De liberdade
Soletradas
Em azul
Dos teus sonhos
De papel...
............
É tudo
O que eu desejo
Pra t’esculpir
A cinzel.

DÁ-ME COR,
Que eu sou
Sensível
Ao brilho
Do teu olhar,
Vibro na luz
Qu’irradia
Quando vestes
O vermelho
Ou te cobres
Com as cores
Do arco-íris
Que és.

VÊS COMO TE 
Conheço?
Tu és cor,
Gota d’água
Suspensa
No fio
Do horizonte
Banhada por
Raios de sol
Que despontam
Lá no monte.

DANÇAS COM ELA,
A cor,
E com ela
Adormeces.
É sopro doce
Do peito,
Da vida
Exaltação,
Com luz
Coada por ti
Para um sonho
Perfeito
No reino da
Evasão.

EU GOSTO MUITO
De cor,
Confundir-me
Todo
Com ela,
Dançá-la
Como vida
Em eclosão,
Girândola
Que embriaga
Os sentidos
Como se fosse
Vulcão...

LEMBRO-ME
Bem do poeta
Que pedia
“Mais luz!”
Já em seu leito
Fatal.
Tinha luz
Dentro de si
Mas a cor
 Já não entrava
Pelas frestas
Do portal.

ERA CINZENTA
A cor que lhe 
Restava
Até escurecer
Quando a janela
Lentamente
Se fechava
No sol-posto
Desse seu
Entardecer.

MAS A PALAVRA
Fascina-me.
É com ela
Que te canto,
Com a cor
Danço e voo,
Na palavra
Calo
Os sentidos
Para melhor
Te sonhar
Dos dias
Em vão perdidos
Na deriva
Do teu mar!

AH, SIM,
Eu gosto
É de palavras
Porque cabes
Em quatro letras
Aninhadas
No teu nome
Que me sabe
A verde
Eterno
Nas tardes de
Primavera.
CorMaiscorFinal2Rec

Caminhos. Detalhe.


					

Poesia

PALAVRAS

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Geometria de um Poema”.
 Original de minha autoria.
Setembro de 2019.
Azálea31

“Geometria de um Poema”. Jas. 09-2019

POEMA  – “PALAVRAS”

PRA QUE SERVE
Este poema,
Meu amor?
“- Para nada!”,
Dizes tu,
“- São palavras
Que usas
Pra te sentires
Menos nu”.

PALAVRAS
São como vento,
Vão,
Voltam
E mudam
D’intensidade,
Sopram forte
Ou de mansinho,
São volúveis,
Ilusão,
Vão pra sul
Ou vão pra norte
Mas cruzam 
O teu destino
Mesmo que digas
Que não.

SÃO INTANGÍVEIS,
São sinais,
Podem ferir
Como espada,
Às vezes
Como silêncio,
Outras,
Pior, 
Como nada...

DIZEM SEMPRE
O que sinto,
Parecendo
Não o dizer,
Às vezes
É proibido
E outras
É por não
Querer.
E se escrevo
E te minto
É por ser forte
O desejo
De um dia
Eu te ter.

ESTE POEMA
Que te envio
Escrevi-o
Com o vento,
Mas nele
Eu também minto...
..............
E o vermelho
É cinzento!

MAS É CONFISSÃO
Inocente
Que chega
Ao seu destino
Como o Sol
Vai a poente
Num poema
Cristalino.

SÃO PALAVRAS,
Meu amor,
Murmúrios
De quem te quer,
São o sonho
Do poeta
Quando a vida
Adormece
No rosto
De uma mulher.

Azálea31Rec

“Geometria de um Poema”. Detalhe.