Desconhecida's avatar

Sobre joaodealmeidasantos1

Professor universitário, escritor, poeta, pintor. Publicou várias dezenas de livros, seus e em co-autoria, de filosofia, política, comunicação, romance, poesia, estética. Foi professor nas universidades de Coimbra, Roma "La Sapienza", Complutense de Madrid e Lusófona (Lisboa e Porto). Publica semanalmente, neste site, ensaios, artigos, poesia e pintura.

Poesia

CATEDRAL

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Tempo”. 
Original de minha autoria 
sobre foto de Giovanna Bellelli, 
em Roma. Poema inspirado no Romance
“Via dei Portoghesi” (Parsifal, 2019).
Agosto de 2019.
Roma'802508_1

“Tempo” – Jas. 08-2019.

POEMA – “CATEDRAL”

VIAJÁMOS NO TEMPO
Até à cidade.
Encontrei-te
Por ali.
Nada mudara.
Rosto sereno,
Inocente,
Como quem
Sempre sorri.

FOMOS AO TEMPLO
Da rua
Da minha vida,
À cúpula
Da catedral.
Não te abracei
Nessa noite,
Era sagrado
O lugar,
Seria abraço
Fatal.

MAS FICOU-ME
O prazer
De te ter
Ali ao lado,
A sonhar
Nesse meu leito
O beijo
Que não trocámos
Numa noite
De luar,
Quando o amor
É mais quente
E o corpo
Desnudado
Por tanto a alma
Brilhar.

FOMOS À PRAÇA
NAVONA,
Escutámos
As águas da fonte
E os traços
Do Bernini,
Da beleza
Horizonte,
Íntimos,
Em sintonia,
Antevendo um futuro
Que nunca mais
Chegaria...

ATÉ QUE ME PROCURASTE
Nessa fita
Da memória,
A noite
Perdida de afectos
Na cúpula da catedral,
Corpos tensos
Sem palavras
Na fronteira
Do amor.

TORNOU-SE MAIS VIVO
O que não aconteceu
Como se fosse
Futuro
Que afinal
No teu passado
Ainda não se
Perdeu.

E CÁ ESTAMOS DE NOVO
À procura
Dessa noite,
Do beijo
Que não te dei,
Passado virou
Futuro
E do tempo
Dessa Igreja
Já nem sei
O que farei.

TALVEZ FAÇA
UM POEMA
Para te reencontrar,
Cantar esse
Sorriso
De que sempre
Eu gostei,
Voar no tempo
Em espaço sideral
E em noite de luar
Pousar de novo
Contigo
Na cúpula
Da catedral....
Roma'802508_1Rec

“Tempo” – Detalhe.

Poesia

“LUA”

Poema de João de Almeida Santos
Ilustração: “Ballerina” 
Original de minha autoria 
para este poema. Agosto de 2019
Ballerina0819

Ballerina. Jas. 08.2019

POEMA – “LUA”

DESCI À PRAIA
Da meia-lua
A ver se nela
Te via.
Era brilhante
O anoitecer,
Cheio de luz
E perfume a maresia.

ERA DA LUA-CHEIA
A luz branca
Que do céu caía,
Gente que dançava
Em dia de festa,
De som e de cor...
....................
E se divertia!

NO CLARO DE LUA
Vi um rosto
De mulher
Que não era
Estranho,
Um perfil qualquer...

ERAM NEGROS
Os seus olhos,
Boca
Rúbida e quente,
Pele macia
Em corpo ardente,
Cabelos ao vento...

VI QUE ERA ELA
A deusa do baile,
Luz branca da lua,
Espelho de mar...
....................
Logo o meu olhar
Procurou o seu
Nesse cintilante
Brilho do luar...

COM ELA DANCEI,
Saltei e cantei
Em alegria,
Vibrou o meu corpo
Com essa melodia
Que me inspirava
Numa bela praia
Em forma de lua
E me seduzia.

VI O SEU SORRISO
Em perfil na lua
Que eu desenhei,
Uma luz intensa
Me iluminou
Quando eu dançava
Essa melodia
Que pra mim soou.

CORPO DE MULHER...
.................
Eu já nem sabia
Se era ela
Ou outra qualquer
Com quem eu podia
Erguer-me à lua
Com alma despida
Neste frágil corpo
Pouco mais que nu...

E TAMBÉM A ALMA
À sua procura
Era de nudez
Um pouco ousada,
Mas, sim, era pura
Por ser nesta lua
Que adivinhava
A minha ventura...
.....................
Pouco mais que nada!

ONDE ESTÁ A LUA?
Nessa bela praia
Ou noutro lugar
Onde a possa ver
Espreitar a rua
Pra me enfeitiçar?

ESTÁ EM TODO O LADO
Onde o meu poema
For entardecer
Para desenhar
Com suas palavras
Um suave rosto
Que é mais de deusa
Do que de mulher...
TeFinal3Exp2-cópia

Ballerina. Detalhe.

Poesia

“AGUARELA”

Poema de João de Almeida Santos,
inspirado no poema de Manuel Bandeira
“Tema e Variações”.
Ilustração: “O Retrato”. Original de minha
autoria para este poema. Agosto de 2019.
ORetrato1108Fimpsd

“O Retrato”. Jas. 08-2019

POEMA – “AGUARELA”

SONHASTE, MANEL,
Que havias sonhado
Estar à janela
Sonhando, a cores,
Qu’estavas com ela.

TAMBÉM EU SONHEI
Que tinha sonhado
E que no sonho
A tinha encontrado,
Passando por ela,
Ali, lado a lado,
Mas quando acordei
Do primeiro sonho,
Sonhando eu vi
O seu rosto belo
Numa aguarela
Pintada a cores
Que tinha guardado
Para uma tela...

SONHEI, OUTRA VEZ,
No segundo sonho,
Que era pintor
Mas que pintava
Sempre o seu rosto
A uma só cor.

DIZIA, SONHANDO,
Que não podia ser.
Seu rosto expressivo
Era arco-íris
Ao amanhecer
E era sorriso
Para o mundo ver!

MAS EU SÓ O VIA
Com a minha cor,
Esse rosto belo
De seda tecido
Que me seduzia
No sonho sonhado
Onde sempre a via
Ali, a meu lado.

NÃO QUERIA ACORDAR
Do sonho feliz
E nele fiquei
De olhos fechados.

JÁ NÃO ACORDEI
Do sonho sonhado
Porque nessa cor
Fiquei encerrado
Com todo o meu ser...
..................
Talvez por amor.

NO SONHO OLHEI
Para o meu espelho
E logo eu vi
Que essa minha cor
Era o vermelho.

E QUANDO ACORDEI
Do primeiro sonho
Voltei a sonhar
Que desvanecia
Nesse rosto amado 
E logo lhe disse,
No segundo sonho,
Que a tinha sonhado.

DISSE-ME QUE NÃO
Que nunca me vira
Sequer acordado
E logo acordei
Desse pesadelo.

FOI ASSIM QUE VI
Que tinha sonhado
E que ela
Já lá não estava
Ali, a meu lado.

QUIS ADORMECER
Para a encontrar
Mas não consegui
Sonhar que a via,
Pôr os olhos nela,
Chorar d’alegria
Porque descobri
Na minha parede
Aquela aguarela
Que do sonho
Passado
Eu já conhecia...
.....................
Era o rosto dela!
ORetrato1108_FinalpsdR

“O Retrato”. Detalhe

Poesia

ELAS FOGEM, AS PALAVRAS…

Poema, em dois andamentos, 
de João de Almeida Santos.
Ilustração: “Letras”. Original
de minha autoria para este poema.
Agosto de 2019.
Palavras0308

“Letras”. Jas. 08-2019

POEMA – “ELAS FOGEM, AS PALAVRAS…”

I.

QUERIA FAZER-TE
UM POEMA,
Sentir-te nele
À vontade
E as palavras
Endoidaram
Quando,
Feliz,
Lhes falei
Da minha
Quente
Saudade.

FUGIRAM
Numa revolta
Sentida
Sem conhecer
A verdade
Deixando-me
Só,
Sem palavras,
À deriva,
Sem dó
Nem piedade...

EU ESTAVA
A MENTIR
Sem pensar
Na crueldade
De as usar
Como queria
Só porque
Tinha saudade...

ESGUEIRARAM
RUA FORA,
Cada uma
Por seu lado,
Em fugas
No horizonte
Deste poema
Tentado...

SÓ JÁ AS VIA
AO LONGE,
Ao fundo
Da tua rua,
Num ponto
Do infinito
Desta minha
Alma nua.

UMAS
ESVOAÇAVAM
No fio
Do horizonte,
Outras
Aninhadas
No passeio...
...................
E eu a tentar
O versejo
Capturado
No enleio
Desta prisão
Do desejo!

PALAVRAS
EM CORRERIA,
Letras
Perdendo forma
Como fios
De novelo
Já desfeito
De sentido
Como a água
Do gelo...

SÂO FIOS
EMARANHADOS,
Letras
Que se deslaçam
E procuram
Outras formas
Para lá da minha
Rima,
São riscos
Na tua tela
A subir
Por ela acima...

II.

QUERO FAZER-TE
UM POEMA
Com palavras
Desenhadas,
Mas elas fogem
Pra longe,
Correm, correm,
Assustadas,
Não vá mesmo
Ser verdade
Que as quero
Alinhadas
Neste recanto
Feliz
Onde resisto
À saudade.

ELAS GOSTAM
DE CANTAR
Esta minha
Triste dor
E gostam
De me dizer
Em intensa
Emoção,
Mas se me vêem
Feliz
Fogem de mim,
Dizem “não!”

O POEMA
PASSARINHO
Procura-te
Para cantar
Mas se já
Não sentes nada
É ele que foge
A voar...

E HOJE
É mesmo assim
Fogem todas
As palavras
Sem procurar
Um destino,
Já não consigo
Agarrá-las
Num poema
Genuíno...

NÃO SABEM
Da minha dor
E por isso
Vão embora
Estou sem palavras,
Amor,
Estou muito triste,
Agora!
Palavras0308Rec

“Letras”. Detalhe.

Poesia

NEBLINA…

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: “S/Título”. Original
de minha autoria para este poema.
Julho de 2019.
Jas. S:título

“S/Título”. Jas. 07-2019

POEMA  – “NEBLINA”

OUÇO O SILÊNCIO
Que me cerca
O corpo
E a alma...

ADENTRO-ME
Na multidão
Rumorosa
E ele cresce
Sobre mim,
Ensurdece-me
Por dentro!

MAS É DEMAIS,
Caustica-me
A pele
Macia das 
Recordações,
Faz-me
Zumbidos
Na alma,
Assobia
Como silvo
Do vento
Nas janelas
Da emoção,
Escuro
Em dias
De tempestade.

OUÇO
A palavra
Silêncio
Tonitruante
Dentro de mim...

HÁ TROVÕES
Silenciosos
Que me assaltam
E fujo
Para o ermo,
Lá em cima,
Solidão de
Eremita
Procurando
O silêncio
Que cobre
O nome
(Tão simples)
Que nunca
Ousaste
Pronunciar...

E O SILÊNCIO
Torna-se
Melodia,
Ouço uma harpa
Dedilhada
Por ti,
Notas musicais
Esvoaçando
No teu azul
De catedral.

VEJO-TE SAIR
Da densa neblina
Que te veste
E cubro-me de
Palavras
À procura
De autor
Que as componha
Num poema
Que te cante
E que te conte...

NOMEIO-TE
Em silêncio
E sussurro
Uma pequena
Palavra
Que nunca ousei
Dizer-te
Mas que ouviste
Ressoar-te
Na alma
Mil vezes!

O SILÊNCIO
Tomou conta de nós
E eu não sairei
Deste poema
Até que me ouças
E soletres
Finalmente
O meu nome
Com as cores
Da tua fantasia.
Jas. S:títuloR

“Sem/Título”. Detalhe.

Poesia

CANTA, POETA, CANTA!

Poema de João de Almeida Santos.
Ilustração: "Auto-Retrato de um Poeta". 
Original de minha autoria. Julho de 2019.
Jas_AutoR210719Boca

“Auto-Retrato de um Poeta”. Jas. 07-2019

“Ora al nuovo sole si affidano i nuovi germogli” 
Virgílio

POEMA – “CANTA, POETA, CANTA!”

CANTA, POETA, CANTA
Até que ela
Te ouça,
Nem que a palavra
Te doa
E a alma
Estremeça.

CANTA, POETA, CANTA
Que o teu poema
Tem dor
Que te baste
No amor
E tem cor
Que alumia
E tem sabor
A cerejas
Que as dá
A Primavera.

SE NO CANTAR
Tu quiseres
Atingir o infinito
Salta pra cima
Dum risco,
Agarra asas
De azul
E voa
Nesse teu céu
Até que ela
Te veja,
Te pinte
Numa cereja
E murmure
Este teu nome
Em silêncio
De igreja...

CANTA, POETA, CANTA
Que o teu cantar
É meu choro
E é água
Cristalina
Que corre
Lesta
Em seu rio
À procura de beleza
Num infinito
Adeus
Beijado
Pela tristeza.

CANTA, POETA, CANTA
Que contigo
Cantarei
A alvorada do dia,
Chora, que eu
Chorarei
Se não houver
Alegria,
Ri, que
Eu sorrirei
Animado por teu
Riso
E para ti
Dançarei
Uma valsa
De Strauss
Às portas
Do Paraíso.

CANTA, POETA, CANTA
Até que ela
Te ouça,
Não pares
De chorar alto,
Na montanha,
No planalto,
Num poema
Ou num desenho,
Numa cor
Em aguarela,
Afagado
Pela dor
De não a veres
À janela.

CANTA, POETA, CANTA,
Para ti
E para o mundo
Que o teu cantar
Enobrece
Quem ouvir
A tua prece,
Quem sentir
O teu lamento,
Que de ser
Já tão profundo
Não o leva
Nem o vento
Pois em ti
Ele entardece.

E SE O VENTO
O levar
Vai procurá-la
A ela,
Dobra lento
A esquina
Pra que a vejas
À janela
Num dia que 
É de festa
Sem cortinas
No poema...

MAS SE O VENTO
Não soprar,
O lamento
 Lá regressa
Ao poeta
Que o cantou
Pois não era
Dele o dia
Mas de quem
O castigou...

CANTA, POETA,
Canta
Que um dia há-de
Ouvir...
...................
Deixa, pois, que o
Tempo passe,
Que a razão
Se esclareça
E confia no porvir...

 CHORA, POETA,
Chora,
Neste teu
Entardecer
Aqui tão perto
Da arte
E saudades
De morrer...

CHORA, POETA, 
Chora,
Até que rompa
A aurora
Deste longo
Anoitecer...
Jas_AutoR210719BocaR

“Auto-Retrato de um Poeta”. Detalhe.

Poesia

O BRINCO

Poema de João de Almeida Santos. 
Ilustração: “Brinco de pérolas e cristais”. 
Original de minha autoria para este poema. 
Julho de 2019.
BrincoJas12

“Brinco de pérolas e cristais”. Jas. 07-2019

POEMA – “O BRINCO”

VI-TE TRISTE
Naquele dia,
Rosto quieto,
Melancolia,
Olhar
Perdido,
Levemente
Embaciado...

NÃO SEI...
Era versátil
O teu rosto,
Bebia cores
Que se aninhavam
Na pele macia
Que a luz
Interpelava
(Cada dia)
Como pincel
Sobre tela
De veludo
(E bem se via).

TEUS OLHOS
TRISTES
Respondiam
Em metamorfoses
De brilho,
Ecos
Da natureza,
Raios de luz...

 E MEUS OLHOS,
Seu espelho,
Devolviam-lhes
Cor incerta,
Reflexo
De alma
A vaguear
Pelas mil
Dobras
Da vida,
À procura
De destinos
Em gestação...
..............
Aconchego
De alma
Itinerante!

 GANHARA VIDA
Esse brinco!
Desprendera-se
De um rosto
Que o pintor
Esculpira
Com as cores
Do desejo
Cristalizado
Pelo silêncio
Frio
Da tela.

ESTAVAS TRISTE
Nesse dia,
Sulcos marcados,
Peso na alma,
Sinais selados…

POUSARA EM TI
Esse brinco
Como sinal
Cravejado
De cristais,
Vindo de um longo
Silêncio,
Quase Irreal,
Agora resgatado
Com diamantes
Em mulher
Madura,
Olhar fatal...

CRISTAIS
Sobre mim...
...............
Código exposto,
Encontro
Casual,
Silêncio
Resgatado
Com brinco
Sensual
Em rosto
Pela tristeza
Toldado...

 ÉRAMOS DOIS
E o brinco
De cristais
Que em ti
Renasciam
Como sinais...

QUIS DESENHAR-TE
Num poema...
........
Olhei,
Marquei,
Tracei,
Era pintor
De metáforas
Com palavras
Roubadas
Ao silêncio...

ERA OUSADA,
Bem sei,
A poética
Que te compunha
Como breve,
Mas intensa
Sinfonia...

AH, MULHER,
Como te sonhei
Nesse dia!

UM
Dois,
Três,
Regressei
De vez
À rapariga
Do brinco
Original
Em mulher
Madura
E essas pérolas
Irreais
Eram pêndulo
Do tempo
Resgatado...
............
Tic, tac,
Tic, tac,
.............
A marcar
O ritmo
De uma valsa
Lenta
Para dentro
De ti,
Um sonho
Escrito
Com as palavras
Do desejo...

A CADA COMPASSO
Era mais belo
Esse brinco,
Brilhava
Como pérola
Em coral
De águas
Profundas,
Alegoria
Seminal
Que iluminava
Tua alma triste
E o perfil
De teu corpo
Humedecido e
Abandonado
Às mãos
Livres
Do poeta...

HAVIA PÉROLAS...
.................
E acariciavam,
Ondulantes,
A sensualidade
Aveludada
De teu rosto
Sobre mim...

 PENDULAR,
Esse brinco
Ecoava
No tempo
E renascia
Em ti...
...........
Tic, tac,
Tic, tac,
............
Em ritmo
Vital
E ofegante
Como se fosse
Estrofe
Oscilante
(Tic, tac)
Do breve
Poema
De tua vida!

BrincoJas12Rec

“Brinco de pérolas e cristais”. Detalhe.

Poesia

O BEIJO

Poema de João de Almeida Santos. 
Ilustração original do autor – 
“O BEIJO”. 
Dia Internacional do Beijo: 
6 de Julho, o dia que celebro, 
com um poema, cada ano. 
Inspirado no Thomas Mann 
de “Lotte em Weimar” (1939), 
a obra que continuou "Werther” 
(1774), de Goethe (1749-1832), 
e no romance 
“Via dei Portoghesi”.
O_Beijo03_0607_2Publicada2019_1

“O Beijo”. Jas. 06-07-2019

Thomas Mann:
“O amor é o melhor na vida, assim, 
no amor, o melhor é o beijo – 
Poesia do amor...”. “Beijo é alegria, 
procriação é luxúria.”

Inspirado também em:

Kafka:
“Os beijos escritos não chegam 
ao destino, mas são bebidos pelos 
fantasmas ao longo do trajecto.”

Shakespeare:
Se para te beijar devesse, depois, 
ir para o inferno, fá-lo-ia. 
Assim, poderia vangloriar-me, 
com os diabos, 
de ter visto o paraíso 
sem nunca lá ter entrado.”

 Bernhardt:
“O primeiro beijo não é dado 
com a boca, 
mas com os olhos.

POEMA – “O BEIJO”

FOI O QUE NUNCA TE DEI
A não ser com o olhar,
O primeiro, esse beijo,
Dei-to, pois, sem te tocar.

E DEI-TE MAIS, COM PALAVRAS,
Quando olhar já não podia,
Foste embora, não estavas
E eu, triste, não te via.

FORAM BEIJOS QUE SONHEI
Na rotina dos meus dias
E desejos que enfrentei
Quando tu mais me fugias,
Mas dou-te beijos escritos
Que se perdem no caminho
E se falta o poema
Fico ainda mais sozinho.

O BEIJO É EMOÇÃO,
É razão descontrolada,
Se não for dado a tempo
Pouco mais será que nada.

SEM BEIJO NÃO HÁ AMOR,
Sem amor perde-se o beijo,
A vida perde sentido
Se me faltar o desejo
Por te ter, assim, perdido.

AQUI O LANÇO AO VENTO
Pra que atinja como brisa
E suave melodia
Esse rosto que precisa
De afecto em poesia.

ESSE BEIJO QUE ME FALTA
De que nunca fui capaz
Voa pra ti em palavras,
Põe-me sereno, em paz
E desejo que, no trajecto,
Voe, voe a grande altura,
Que fantasmas não o bebam
E minha dor tenha cura.

MAS SEI DOS ESCOLHOS DA VIA,
Dos perigos que ele corre,
Capturado por fantasmas
É mensagem que me morre.

NO DIA DO BEIJO É HORA
De te cantar em voz alta
A poética do amor
Pra redimir essa falta
E pôr fim à minha dor.

E PORQUE O DIA É TEU
Ganha força,
Intensidade...
.....................
Mesmo que fantasmas
O bebam
É um beijo de verdade.

ESSE BEIJO QUE NÃO DEI
Foi pecado original,
Hei-de sofrê-lo pra sempre
Como chaga corporal.

NÃO HÁ PALAVRAS QUE BASTEM
Pra repor o que não dei
Elas voam, mas não chegam
E mesmo assim eu tentei...

É CERTO QUE SEMPRE O QUIS,
Só que nunca to roubei,
A culpa foi desse tempo,
Dos dias em que te amei,
Um tempo em diferido
Sem presente nem futuro,
Talvez beijo sem sentido
Porque queria do mais puro,
Tangendo eternidade
Às portas do Paraíso,
Um beijo de divindade,
Mas simples
Como um sorriso.

ESSE BEIJO IMPOSSÍVEL
Que não é do foro humano
Vou tentando construí-lo
Cada dia, cada ano,
Perdendo-me pelo caminho
Como sagrado em profano.

A Janela_OndeTeVejo3103FinalRecorte